ANÁLISE: Cinco aspetos a ter em atenção na reunião da Fed

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(DJ Bolsa)– A Reserva Federal dos EUA deverá aumentar as taxas de juro em um quarto de ponto percentual na conclusão do seu encontro de dois dias esta quarta-feira, marcando o quinto aumento desde que a Fed começou a subir as taxas desde perto de zero há dois anos. Os responsáveis vão também apresentar novas projeções para o desemprego, inflação, crescimento económico e taxas de juro. O banco central irá divulgar a decisão às 1900 TMG, a que se seguirá uma conferência de imprensa da presidente Janet Yellen, às 1930 TMG.

Seguem cinco aspetos a ter em atenção:

1. Impostos

Os deputados da Câmara dos Representantes e do Senado tentam aprovar uma proposta de lei que reduz os impostos e que pode acrescentar $1,4 biliões ao deficit orçamental durante um período de 10 anos, sem ter em conta qualquer receita adicional proveniente do forte crescimento económico. Uma vez que as duas partes ainda não conciliaram as suas versões da proposta, os responsáveis da Fed podem não ter informações suficientes para perceber como é que a economia irá responder. No entanto, provavelmente terão informações suficientes para antecipar mais estímulos orçamentais do que nas projeções anteriores.

As novas projeções económicas vão mostrar se preveem um crescimento económico mais acelerado, uma inflação mais elevada, uma taxa de desemprego mais baixa ou um ritmo mais agressivo de subidas das taxas de juro como resultado. Provavelmente, Yellen irá abordar estas questões durante a sua conferência de imprensa.

2. Inflação: Efeitos transitórios?

A Fed provavelmente irá anunciar que subirá a taxa de juro benchmark para o intervalo entre 1,25% e 1,5%, apesar de haver poucas evidências de que a inflação está a aumentar, tendo mesmo desacelerado inesperadamente durante este ano. A taxa de inflação homóloga ficou acima do alvo de 2% da Fed em fevereiro, mas foi de apenas 1,6% em outubro, segundo o indicador preferido do banco central.

Yellen disse que prevê que a fraca inflação seja temporária, particularmente tendo em conta a queda da taxa de desemprego e um crescimento a uma taxa anual entre 2,5% e 3%. As novas projeções irão mostrar se os responsáveis ainda esperam que a inflação atinja 2% até 2019, tal como em setembro. E Yellen pode explicar o outlook da inflação na conferência de imprensa.

Importa também perceber se o presidente do banco da Reserva Federal de Mineápolis, Neel Kashkari, voltará a votar contra o aumento das taxas de juro devido à baixa inflação e se alguém se junta a ele do lado dos dissidentes.

3. Condições financeiras

Embora a inflação reduzida signifique que os responsáveis quererão aumentos dos juros mais lentos, a flexibilização das condições financeiras e os receios sobre a valorização dos ativos fornecem munições aos que querem manter — ou acelerar — o ritmo. De cada vez que a Fed agiu para tornar a política monetária relativamente menos flexível, este ano, incluindo através da redução da massiva carteira de obrigações, as taxas de juro de longo prazo permaneceram baixas ou caíram, ao passo que os preços das obrigações subiram.

No passado, Yellen colocou mais ênfase nos indicadores do mercado de trabalho, como a taxa de desemprego, para justificar a retirada gradual das medidas de estímulo implementadas no período pós-crise. Deve ter-se em atenção o que Yellen diz sobre os riscos para a estabilidade financeira e as suas implicações para o rumo das taxas de juro.

4. Quão longe do nível neutral

Com mais uma subida das taxas, a Fed pode estar perto do nível neutral, em que nem fomenta nem trava o crescimento. Os responsáveis da Fed esperam que este nível neutral surja nos próximos anos e uma das grandes questões neste encontro diz respeito ao curso das taxas em 2018 e 2019. Com a redução do portefólio da Fed, a chamada normalização da política tem dado vários passos em frente este ano. Deve observar-se se as novas projeções mostram quanto é que os responsáveis acreditam que as taxas devem subir a partir daqui e durante quanto tempo.

5. Reflexões sobre a saída de Yellen

O Presidente dos EUA, Donald Trump, nomeou o governador da Fed Jerome Powell para suceder a Yellen em fevereiro, quebrando o precedente recente: os três anteriores presidentes da Fed foram renomeados pelos Presidentes do partido oposto ao que os colocou no cargo no primeiro mandato.

O banco central deverá contar com outros novos responsáveis de política monetária no próximo ano. O conselho de governadores de sete membros, com sede em Washington, tem agora três lugares vagos antes da saída de Yellen, prevista em fevereiro, e os bancos de Nova Iorque e de Richmond vão ter novos presidentes.

A conferência de imprensa de Yellen será a sua última intervenção pública agendada antes de o seu mandato terminar, a 3 de fevereiro, pelo que a responsável pode aproveitar para refletir sobre a sua extensa experiência no banco central como presidente, vice-presidente, presidente do banco da Fed de São Francisco, governadora e economista. Com uma taxa de desemprego em 4,1% em novembro, Yellen está preparada para deixar a Fed num momento em que as questões políticas mais importantes envolvem manter a economia equilibrada e como se preparar para a próxima recessão.

– Por Nick Timiraos (nick.timiraos@wsj.com)

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