Comentários do presidente do Eurogrupo alvo de críticas

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(DJ Bolsa)– O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, ficou sob maior pressão esta quarta-feira, depois de vários responsáveis dos países do sul da Europa terem criticado os comentários do ministro das Finanças holandês a um jornal alemão.

Dijsselbloem foi citado pelo jornal Frankfurter Allgemeine na segunda-feira como tendo sugerido que os países atingidos pela crise e que pediram ajuda financeira gastam o dinheiro em “bebidas e mulheres”.

A liderança de Djisselbloem já estava em causa após a pesada derrota que o seu partido sofre nas eleições na Holanda na semana passada, mas desde a publicação destes comentários, o coro de críticas aumentou.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, pediu a demissão de Dijsselbloem e disse aos jornalistas que o responsável “deve desaparecer” devido a comentários que considerou “sexistas, racistas e xenófobos”.

“A Europa só será credível com um projeto comum no dia em que o senhor Djisselblom deixe de ser presidente do Eurogrupo e haja um pedido de desculpas claro, relativamente a todos os países e povos que foram profundamente ofendidos por estas declarações”, disse Costa aos jornalistas em Lisboa.

Na Grécia, o porta-voz do governo, Dimitris Tzanakopoulos, disse que os comentários de Dijsselbloem foram “totalmente despropositados, estereotipados e acentuam a divisão entre o norte e o sul, abrindo caminho às posições extremistas”.

O ministro da Economia de Espanha, Luis de Guindos, disse que os comentários foram “infelizes”.

Dijsselbloem disse esta quarta-feira, através de um comunicado enviado por email, que lamenta que a sua mensagem tenha sido mal interpretada e que possa ter ofendido alguém, mas acrescentou que “não tenciona demitir-se”.

Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia, distanciou a comissão dos comentários de Dijsselbloem.

“Cada um é responsável pelos seus próprios comentários e nós [Comissão Europeia] não comentamos comentários”, disse Schinas.

O jornal alemão citou Dijsselbloem dizendo que “durante a crise da Zona Euro os países do norte da Europa mostraram solidariedade para com os países afetados pela crise”.

“Mas quem pede também tem obrigações. Não posso gastar o meu dinheiro todo em bebidas e mulheres e pedir ajuda”, disse Dijsselbloem de acordo com jornal.

Um responsável da União Europeia disse que este episódio não deve afetar o restante mandato do presidente do Eurogrupo, mas pode ser um problema caso Dijsselbloem tente recandidatar-se.

– Por Patricia Kowsmann, Valentina Pop

– Nektaria Stamouli e Jeannette Neumann contribuíram para este artigo.

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