Coreia do Norte responde a “fogo e fúria” de Trump com nova ameaça

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(DJ Bolsa)– O Presidente dos EUA, Donald Trump, deixou um duro aviso à Coreia do Norte para que pare de fazer ameaças aos EUA, alertando para uma resposta de “fogo e fúria como o mundo nunca viu”.

Horas depois dos comentários de Trump, a Coreia do Norte fez a sua ameaça mais explícita para atacar os norte-americanos. Através dos seus media oficiais, a Coreia do Norte disse que está a considerar disparar mísseis à base militar de Guam, um território dos EUA no Pacífico, tornando os norte-americanos “os primeiros a sentir o poder das armas estratégicas do DPRK” — a República Democrática Popular da Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte.

Os comentários de Trump refletem uma profunda preocupação na sua administração sobre os progressos da Coreia do Norte nos últimos meses sobre o programa de armas nucleares, bem como sobre as declarações de provocação desta semana, que parecem rejeitar negociações sobre a redução do programa.

Os comentários do presidente devem ter tido como destinatários não só a Coreia do Norte, mas também os chineses, na esperança de que fiquem suficientemente alarmados para que façam a sua parte na implementação das sanções económicas das Nações Unidas contra a Coreia do Norte.

Entretanto, um alto responsável da administração Trump disse na terça-feira que Washington não deve assumir que conseguirá conter uma Coreia do Norte armada com mísseis balísticos de ogivas nucleares e alcança intercontinental através dos métodos tradicionais.

“Não permitiremos que a Coreia do Norte tome cidades americanas como reféns”, disse o responsável.

A Coreia do Norte realizou cinco testes com armas nucleares desde 2006. Há muito que os EUA acreditam que o país tem a capacidade de produzir uma ogiva nuclear pequena o suficiente para viajar à boleia de um míssil balístico — embora pensem também que a Coreia do Norte ainda enfrenta barreiras técnicas para transformas esta capacidade numa arma operacional.

O que tem preocupado os responsáveis dos EUA nos últimos meses é a rápida progressão do programa do país para montar mísseis balísticos intercontinentais — armas de longo alcance que permitiriam à Coreia do Norte disparar ogivas com capacidade de alcançar os EUA.

A Coreia do Norte realizou o primeiro teste com estes mísseis a 4 de julho e um segundo a 28 de julho, que peritos acreditam ter colocado os EUA ao alcance um ataque.

Mas até agora os peritos discordam sobre se os aparelhos testados pelo país seriam capazes de sobreviver à reentrada na atmosfera terrestres sem se desintegrarem, de acordo com analistas que viram vídeos dos testes. Responsáveis dizem que não há qualquer indicação ainda de a Coreia do Norte ter ainda testado se a sua ogiva conseguirá fazê-lo sem ser destruída.

Os comentários de Trump na terça-feira parecem ser inspirados nos do Presidente Harry S. Truman em 1945, depois de ter ordenado a utilização de uma bomba nuclear em Hiroshima e de ter exigido que os japoneses se rendessem, durante a Segunda Guerra Mundial. Truman alertou que, se o Japão não aceitasse os termos de rendição dos EUA, “podia esperar uma chuva de ruína vinda do ar, como nunca foi vista nesta Terra”.

Trump não clarificou que ações por parte da Coreia do Norte seriam precisas para uma resposta dramática dos EUA, ou aquilo que teriam de fazer para a evitar, o que abre a possibilidade de uma falha de comunicação entre Washington e Pyongyang num momento de aumento das tensões.

– Por Paul Sonne (paul.sonne@wsj.com), Shane Harris (shane.harris@wsj.com), Jonathan Cheng (jonathan.cheng@wsj.com)

– Eli Stokols, Gordon Lubold contribuiu para este artigo.

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