Fed aposta em setembro para anunciar início da redução do balanço

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(DJ Bolsa)– Os responsáveis da Reserva Federal dos EUA têm indicado que há uma elevada probabilidade de anunciarem em setembro a decisão de iniciar a redução do balanço de ativos do banco central, adiando até dezembro qualquer nova subida das taxas de juro.

Esta decisão daria mais tempo aos responsáveis para avaliar como os mercados reagem às reduções à carteira de ativos e para confirmar a tese de que o recente abrandamento da inflação se vai dissipar.

Lançar o plano de redução do balanço em setembro também dará uma oportunidade à presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, de arrancar com o processo bastante tempo antes de qualquer potencial transição de liderança do banco central. O mandato de Yellen termina em fevereiro e o Presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não indicou se vai nomear Yellen para um segundo mandato ou substituí-la.

Embora ainda não tenha sido tomada uma decisão final sobre os próximos passos da Fed, os responsáveis do banco central terão várias oportunidades ao longo das próximas semanas para clarificar as suas intenções. O banco central apresenta as minutas da reunião de junho esta quarta-feira e Yellen testemunha perante o Congresso na próxima semana. Os banqueiros centrais também se vão reunir na conferência anual de Jackson Hole no final de agosto, um evento que dará várias oportunidades para apresentarem mais perspetivas.

No início do ano, alguns dos responsáveis disseram estar a considerar aumentar as taxas de juro em março, junho e setembro, iniciando a redução do portefólio em dezembro. Efetivamente, aumentaram os juros em março e junho, mas estão a ponderar esta nova estratégia por várias razões.

Primeiro, chegaram a acordo na reunião de junho sobre como reduzir o balanço de $4,5 biliões e tornaram esse plano público. Alguns dos responsáveis do banco central consideram que o melhor é arrancar com o processo em breve, tendo em conta que o crescimento dos EUA parece estabilizado e a economia global está a melhorar.

Em segundo lugar, caso Yellen não seja nomeada para um segundo mandato, preferem não esperar até dezembro e lançar o programa pouco depois de o sucessor da presidente assumir o cargo.

Em terceiro lugar, a inflação continua a ser um mistério para a Fed. A taxa de desemprego caiu para 4,3% em maio, um mínimo de 16 anos, mas ainda assim as pressões sobre os preços têm diminuído nos últimos meses, deixando os indicadores homólogos de inflação longe da meta de 2% do banco central.

Os responsáveis da Fed ainda têm tempo para ajustar os planos caso a economia enfrente alguma surpresa negativa. Ainda há mais quatro reuniões este ano, incluindo a próxima a 25 e 26 de julho, e Yellen falará à imprensa após as reuniões de setembro e dezembro, o que torna essas reuniões como as datas mais prováveis para anunciar o plano.

-Por Nick Timiraos (nick.timiraos@wsj.com)

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