Yellen: Inflação deve recuperar, mas Fed pode alterar política

0

(DJ Bolsa)– A presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, que está a braços com uma recente desaceleração da inflação global, disse que espera que as forças que pressionam os preços no consumidor diminuam nos próximos meses, permitindo que o banco central mantenha os planos para aumentos graduais da taxa de juro.

Mas não foi categórica, dizendo que a Fed pode alterar os planos se os preços mais brandas persistirem.

“É prematuro chegar à conclusão de que não estamos no caminho da inflação de 2% nos próximos dois anos”, disse Yellen esta quarta-feira, durante uma audição na comissão de serviços financeiros da Câmara dos Representantes. Yellen reiterou a visão de que um mercado de trabalho cada vez mais rígido aumentará a pressão sobre os salários e os preços, mas acrescentou: “Estamos a observar isto de perto e estamos prontos para ajustar a nossa política se parecer que inflação lenta será persistente”.

Yellen também atualizou os deputados acerca dos planos da Fed para começar a reduzir lentamente o balanço de $4,5 biliões de obrigações e outros ativos comprados durante e após a crise financeira de 2008. Yellen disse ao Congresso que os responsáveis do banco central esperam que esses planos entrem em funcionamento “relativamente em breve”, mas que não foi mais específica em relação ao timing.

Yellen deu início a dois dias de testemunho, que começa na Câmara dos Deputados esta quarta-feira e na quinta-feira irá ao Senado, naquelas que serão provavelmente as suas últimas intervenções no Capitólio antes de terminar o mandato em fevereiro. A Casa Branca arrancou o processo de considerar quem deve assumir a liderança da Fed. Não se espera que Yellen seja reconduzida, mas o Presidente dos EUA, Donald Trump, não descartou esta hipótese.

Yellen foi evasiva quando questionada repetidamente sobre o seu desejo de servir um segundo mandato. “Realmente não tive que pensar mais sobre este assunto neste momento”, disse.

Excluindo as categorias voláteis dos alimentos e energia, o indicador de inflação preferido da Fed desacelerou para 1,4% nos 12 meses terminados em maio, face a 1,8% em fevereiro. Na declaração que preparou, Yellen disse que a desaceleração da inflação reflete em parte quedas extraordinárias e que os responsáveis da Fed vão monitorizar “de perto” os desenvolvimentos da inflação nos próximos meses. “Há (…) incerteza sobre quando — e quanto — a inflação responderá à restrição da utilização dos recursos”, disse.

Os comentários desta quarta-feira indicam uma incerteza um pouco maior sobre as forças que travam o crescimento dos preços do que os comentários feitos numa conferência de imprensa após a decisão de aumentar as taxas de juro, no mês passado. Yellen disse esta quarta-feira que a recente desaceleração refletiu “em parte” fatores extraordinários, quando no mês passado disse acreditar que os preços refletiram “significativamente” esses fatores.

De acordo com o plano de redução do balanço anunciado no mês passado, a Fed permitirá que a sua carteira de ativos diminua gradualmente, através do vencimento de um montante predeterminado de obrigações todos os meses cujo principal não será reinvestido. Permitir o vencimento poderia impulsionar as taxas de longo prazo, mas os mercados não mostraram uma reação significativa até agora.

A Fed não planeia usar o balanço como ferramenta ativa da política monetária durante os tempos normais, dirá Yellen esta quarta-feira. Mas está “preparada para retomar os reinvestimentos se uma deterioração material das perspetivas económicas gerar uma redução significativa na taxa de fundos federais”, disse.

De forma mais geral, Yellen disse que o desempenho da economia provavelmente pedirá “aumentos graduais da taxa de fundos federais ao longo do tempo” para alcançar os objetivos da Fed de máximo emprego sustentável e preços estáveis, medidos face a um alvo de inflação homóloga de 2%. A inflação ficou abaixo deste alvo durante a maior parte dos últimos cinco anos.

Yellen caracterizou a taxa de referência de curto prazo da Fed como “um pouco abaixo” do seu nível neutral, em que a Fed não tenta acelerar ou abrandar a economia. Como esse nível está atualmente baixo face aos padrões históricos, “a taxa diretora não teria de aumentar assim tanto para chegar a uma posição de política neutral”, disse.

– Por Nick Timiraos (nick.timiraos@wsj.com)

Partilhar

A seção de comentários está encerrada.