A Fitch Ratings manteve o rating BB+ e o respetivo outlook estável de Portugal, na sexta-feira, conforme esperado.
Na sexta-feira, antes do fecho dos mercados, o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, surpreendeu os mercados ao revelar que a agência Fitch iria manter o rating do país atendendo a que “está a haver uma evolução que é positiva”.
Mantendo a notação em nível especulativo, a agência refere que, apesar da recuperação registada na segunda metade do ano, continua a prever um crescimento económico de 1,3%, inferior ao que é apontado pelo governo no orçamento do Estado, de 1,8%.
“Os ricos macroeconómicos internos diminuíram, mas Portugal mantém-se vulnerável a desenvolvimentos externos”, diz a Fitch, apontando em particular o aumento do protecionismo mundial, o crescimento mais fraco da Zona Euro e as eleições deste ano na Europa.
Além disso, a agência volta a mencionar o sistema bancário como potencial risco de descida para o rating, caso venha a precisar de um substancial suporte por parte do Estado. A Fitch diz que o desempenho orçamental de Portugal pode ser afetado pela recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e prevê que o deficit se aproxime de 3% do produto interno bruto, de onde a CGD responderá por 1,1% do PIB.
Já em janeiro, durante uma conferência em Lisboa, o analista que assina o relatório da Fitch, Federico Barriga Salazar, tinha dito que precisa de ver mudanças estruturais para haver alterações do rating e que Portugal “fica mal na fotografia quando comparado com quase todos os países do mundo” em termos de endividamento público e privado.
– Por (carla.canivete@webtexto.pt)
– Pedro Barros Costa contribuiu para este artigo.