A taxa de inflação da Alemanha atingiu o nível mais elevado em quatro anos e meio, embora os salários permaneçam modestos, reforçando as expectativa de que o Banco Central Europeu manterá a política monetária muito acomodatícia da Zona Euro.
A subida dos preços da energia e dos alimentos contribuiu para um aumento da taxa homóloga de inflação. O índice harmonizado de preços no consumidor da Alemanha, calculado de acordo com os padrões da União Europeia, subiu para 2,2% em fevereiro face a 1,9% em janeiro, disse o Destatis de acordo com dados preliminares divulgados esta quarta-feira. Trata-se da taxa mais elevada desde agosto de 2012.
Os dados mais fortes do que o esperado devem captar a atenção dos responsáveis de política monetária do BCE, uma vez que o banco visa uma inflação de pouco menos de 2%.
Contudo, foram os preços voláteis da energia e dos preços da alimentação que impulsionaram recentemente o indicador principal da inflação. As pressões de subida dos preços continuam ainda moderadas a nível interno, apesar do desempenho económico robusto da Alemanha e dos sinais fortes do mercado de trabalho.
“Atualmente, as pressões sobre os preços ainda são relativamente baixas”, disse Jens Weidmann, líder do Bundesbank, num evento do banco central da Eslovénia, esta quarta-feira. A taxa de inflação subjacente da Alemanha, que exclui os preços da energia e outras componentes voláteis do IPC, segue atualmente em torno de 1%, disse.
Os salários dos alemães subiram 1,9% em 2016, em termos homólogos, disse o Destatis esta quarta-feira. Trata-se da taxa mais baixa desde 2011.
No mesmo discurso, Weidmann disse que a taxa de inflação da Zona Euro pode ficar 0,5% acima do previsto este ano.
“No caso da Alemanha, prevê-se uma revisão em alta de cerca de 0,5% [dos dados da inflação]— e isto pode ser também o caso da Zona Euro”, disse Weidmann.
– Por Nina Adam (nina.adam@wsj.com), Paul Hannon (paul.hannon@wsj.com)