LONDRES (DJ Bolsa)– O Banco de Inglaterra, ou BOE na sigla em inglês, prevê um crescimento estável, ainda que pouco brilhante, para o Reino Unido nos próximos três anos, desde que a saída da União Europeia decorra sem problemas.
No mais recente conjunto de previsões económicas, o banco central estima que o crescimento do produto interno bruto acelere para 1,9% em 2017, com o aumento das exportações e do investimento empresarial a ajudarem a contrariar os efeitos da subida dos preços no consumo privado.
Os responsáveis do BOE votaram a favor de manter a taxa de juro e indicaram que não têm pressa para aumentar os custos de financiamento, apesar de a inflação estar acima do alvo. Contudo, alertaram que a taxa de juro pode ter de subir mais rapidamente do que o previsto pelos investidores, que atualmente duvidam que o BOE aja antes de 2019.
O BOE disse que prevê que o Brexit decorra sem sobressaltos, com um período de transição que mantenha algumas das condições comerciais, entre outras, para além do horizonte de projeções de três anos do banco central.
“Assumimos que o processo de saída da UE será suave”, disse o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, na conferência de imprensa após a reunião. “Haverá um acordo e um período de implementação para o novo acordo. Não sabemos qual será a dimensão do acordo.”
Carney disse que o banco central não fez estimativas para um cenário onde não houvesse acordo e onde existisse uma “rutura acentuada” entre a UE e o Reino Unido.
“O que temos é uma economia que se ajusta gradualmente”, disse.
Questionado sobre possíveis tensões entre o bloco e o Reino Unido, depois de a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, ter acusado alguns responsáveis europeus de fazerem ameaças ao país, Carney disse que as duas partes declararam publicamente o desejo de uma separação amigável.
“Esse é o objetivo de ambos os lados e não nos cabe a nós falar sobre essa questão”, disse, acrescentando que o processo ainda está no início.
As minutas do Comité de Política Monetária, ou CPM, mostram que houve uma maioria a defender a manutenção das taxas de juro. Apenas Kristin Forbes, antiga conselheira económica da Casa Branca, votou a favor de um aumento.
O banco central prevê que a inflação atinja um pico de 2,8% — acima da meta de 2% — antes de abrandar em 2018.
– Por Jason Douglas (jason.douglas@wsj.com), Paul Hannon (paul.hannon@wsj.com)