BOE prevê ritmo subida taxas mais acelerado

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LONDRES (DJ Bolsa)– O Banco de Inglaterra, ou BOE na sigla em inglês, juntou-se esta quinta-feira a outros bancos centrais, sinalizando que o longo período de flexibilização monetária está gradualmente fechar-se. O banco central disse que antecipa que o aumento das taxas de juro no Reino Unido se processe a um ritmo mais acelerado do que os investidores esperam atualmente.

O BOE manteve a taxa de juro de referência a 0,25% no final do seu encontro de política monetária, tal como era esperado.

As taxas de juro de curto prazo nos mercados financeiros sugerem que os investidores esperam que o BOE suba a taxa apenas duas vezes nos próximos três anos, para 0,5% no final deste ano e para 0,75% em meados de 2020. No entanto, os responsáveis preveem que os custos dos empréstimos terão de ser aumentados mais rapidamente para manter a inflação sob controlo.

O sinal de Londres surge numa altura em que a aceleração do crescimento dos 19 Estados-membros da Zona Euro aumenta as expectativas de que o Banco Central Europeu irá começar a reduzir as medidas de estímulo no próximo ano.

A desvalorização da libra no seguimento da votação do Brexit provocou um aumento acentuado dos preços no Reino Unido, reduzindo o rendimento disponível das famílias e o consumo.

Os responsáveis do BOE disseram esta quinta-feira que esperam que o efeito cambial nos preços vá desaparecendo gradualmente, mas que as pressões inflacionistas domésticas — que incluem o crescimento dos salários — vão começar a recuperar. O banco central prevê que a inflação vai permanecer acima do alvo de 2% durante os próximos três anos se as taxas de juro apenas subirem duas vezes e que o crescimento da economia está a um ritmo estável mas pouco impressionante.

“Se a economia seguir no geral um rumo consistente com a projeção central de agosto, a política monetária pode necessitar de ser restringida de forma mais acelerada durante o período de previsão do que o ritmo descontado” pelos mercados financeiros, diz o BOE.

As minutas das discussões dos responsáveis mostram que dois dos oito membros do Comité de Política Monetária, ou CPM, votaram a favor de um aumento imediato dos custos dos empréstimos, mas a maior parte decidiu mantê-los para já.

O BOE espera que a economia do Reino Unido cresça a um ritmo de 1,7% em 2017, um ritmo mais fraco face às previsões de 1,9% em maio. Cortou também as previsões de crescimento para 2018, para 1,6% face a 1,7%. Esta revisão reflete as previsões mais fracas para o consumo e o investimento empresarial.

As previsões do BOE assumem que o Reino Unido vai negociar uma saída suave da UE, prevista para março de 2019. Os responsáveis das duas partes têm reunião agendada para outubro.

– Por Jason Douglas (jason.douglas@wsj.com) e Paul Hannon (paul.hannon@wsj.com)

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