Portugal deixa de ter ratings em grau especulativo após subida da Moody’s

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LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– A agência Moody’s Investors Service reviu em alta a notação de Portugal para Baa3, face a Ba1, retirando o rating do país da classe especulativa, na sexta-feira. No mesmo dia, a DBRS manteve a notação de Portugal em BBB (estável).

É a primeira vez desde 2011 que Portugal tem todos os ratings das quatro principais agências em grau de investimento. A Moody’s foi a última das principais agências de notação financeira a retirar o rating de Portugal de grau especulativo. O outlook é estável.

“É o reconhecimento por parte das agências de notação financeira das transformações estruturais na economia e na gestão responsável das contas públicas”, disse o Ministério das Finanças num comunicado em reação à decisão no final de sexta-feira.

“O governo prosseguirá a estratégia que definiu, através de um orçamento equilibrado para 2019, com o objetivo de reforçar a resiliência das contas públicas e da economia portuguesa para os anos futuros, reforçando a confiança dos portugueses e dos investidores”, acrescenta o ministério liderado por Mário Centeno.

A agência disse no relatório que a subida do rating é sustentada pela redução da dívida para uma trajetória descendente, ainda que gradual, e com riscos apenas limitados de inversão.

“Estamos confiantes de que a trajetória descendente da dívida pode ser sustentada, refletindo a significativa melhoria orçamental dos últimos anos, em que o deficit [orçamental] não ultrapassa os 3% [do PIB]desde 2016”, diz a Moody’s no comunicado, acrescentando que esta trajetória de descida da divida pode suportar os choques mais prováveis, como a subida das taxas de juro.

A agência norte-americana salienta ainda que os esforços de restruturação dos bancos reduziram significativamente os riscos que o setor da banca representa para as contas públicas.

Além disso, a agência destaca que a base de crescimento de Portugal se tornou mais ampla, fruto de melhorias estruturais à balança externa.

“A economia de Portugal beneficiou com a recuperação da Europa como um todo (…) e o PIB está agora de volta aos níveis anteriores à crise em termos reais. Mais importante para a composição do crescimento, o investimento tem dado um contributo sustentado desde meados de 2016”, diz a agência no relatório que acompanhou a decisão.

Já a canadiana DBRS, ao manter a notação de Portugal, destacou que os riscos para o país estão equilibrados e que a posição orçamental continua a melhorar.

No entanto, a DBRS alertou que “a elevada dívida [pública] limita a margem de manobra orçamental e deixa as contas públicas vulneráveis a choques negativos”.

– Por Eduardo Correia (eduardo.correia@webtexto.pt)

Produzido para a Dow Jones Newswires pela Webtexto (EMC)

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