LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– A Comissão Europeia continua a prever que o crescimento do PIB de Portugal será de 2,2% em 2018, mas cortou a estimativa de expansão no ano seguinte para 1,8%, face aos 2% apontados nas previsões de julho.
Nas previsões económicas de outono, divulgadas esta quinta-feira, a Comissão Europeia prevê que o crescimento vai continuar a abrandar, fixando-se em 1,7% em 2020.
O governo prevê também um abrandamento, mas menos acentuado, dos 2,3% apontados para este ano no Orçamento do Estado de 2019 para 2,2% no ano seguinte.
“A procura doméstica continua forte, mas o crescimento do PIB deverá abrandar em 2019 e 2020 à medida que as exportações líquidas descem”, refere o documento da Comissão Europeia, penalizadas pela “redução da procura externa”.
A Comissão Europeia reviu em baixa as previsões para o crescimento das exportações, que deverá ser de 5,5% em 2018, contra uma previsão de 6,8% em julho. No ano seguinte, as exportações deverão abrandar para +4,3% contra uma previsão anterior de +5,5%.
A desaceleração será acompanhada por um abrandamento das importações, que deverão aumentar 6,0% e 5,2% em 2018 e 2019, contra os 7,3% e 5,5% apontados em julho.
O crescimento também será penalizado pelo abrandamento do consumo privado, que subirá 2,3% e 2,0% em 2018 e 2019, face às previsões anteriores de 2% e 1,8%, respetivamente.
No que diz respeito ao deficit deste ano, a Comissão Europeia reviu em baixa os valores apontados em julho, em linha com o Orçamento do Estado. O saldo orçamental será negativo em 0,7% do PIB em 2018, face aos 0,9% apontados em julho.
A previsão de um deficit de 0,6% em 2019 mantém-se, enquanto o deficit do ano seguinte deverá ser de 0,2% — um ano depois do que é previsto pelo governo.
O deficit de 2018 será “beneficiado por uma subida cíclica da receita, redução da despesa com juros e uma quebra maior que o orçamentado do investimento público, mas negativamente impactado pela ativação do mecanismo de capitalização contingente do Novo Banco”. Sem esta e outras operações extraordinárias, o deficit seria de 0,3%.
O desemprego continuará a trajetória de descida. Atingirá os 7,1% este ano, contra os 7,7% apontados em julho e os 6,3% em 2019, contra uma estimativa de 6,8% em julho.
Contudo, “a criação de emprego deverá abrandar com algumas melhorias na produtividade laboral”.
A inflação, por sua vez, registará variações mínimas, situando-se nos 1,5% — uma ligeira revisão em alta face aos 1,4% de julho — e 1,6% nos dois anos seguintes.
A dívida pública continuará a trajetória descendente, continuando a recuar para 117% do PIB em 2020.
– Por Pedro Barros Costa (pedro.costa@webtexto.pt)