MILÃO (DJ Bolsa)– O Banca Monte dei Paschi di Siena SpA disse esta terça-feira que vai eliminar 2.600 postos de trabalho, fechar 500 balcões e vender unidades no âmbito de um plano destinado a convencer investidores a apostarem num aumento de capital de milhares de milhões de euros.
O banco planeia reduzir os custos com pessoal até 9%, acelerar o investimento na banca digital e colocar mais foco nas operações de retalho, para alcançar um lucro líquido superior a EUR1,1 mil milhões ($1,2 mil milhões) até 2019.
As ações do banco sobem 3,8% em Milão, depois de já terem disparado mais de 20% e terem sido suspensas várias vezes devido a esta subida brusca.
O Banca Monte dei Paschi di Siena disse ainda que vai vender a unidade de recuperação de crédito malparado e as operações de compra de commodities. Para estas operações, o Istituto Centrale delle Banche Popolari Italiane SpA já apresentou uma oferta de EUR520 milhões.
“O novo plano de negócio tem alvos altamente ambiciosos”, escreveram analistas da Kepler Cheuvreux.
A nova estratégia do banco italiano, que tem passado por problemas devido ao crédito malparado e necessita de um aumento de capital para sobreviver, está ligado ao plano que tinha sido apresentado em julho e que se destina a solucionar o excesso de crédito malparado no balanço do banco.
Nessa altura, a firma disse que iria angariar até EUR5 mil milhões de capital e vender EUR28 mil milhões de crédito malparado.
O Banca Monte dei Paschi di Siena disse ainda esta terça-feira que agendou uma assembleia-geral de acionistas para 24 de novembro para que seja aprovado o plano de recapitalização, que quer concluir até ao final do ano.
O banco confirmou também que pode pedir aos detentores de dívida subordinada para trocarem dívida por capital antes de vender novas ações, acrescentando que pode reservar parte do aumento de capital para novos investidores que queiram assumir uma posição elevada e outra parte para quem já é acionista.
O Monte dei Paschi reportou um prejuízo líquido de EUR1,15 mil milhões no terceiro trimestre, face a um lucro líquido de EUR255,8 milhões no período homólogo. O prejuízo deveu-se sobretudo aos EUR1,3 mil milhões de provisões para crédito malparado que teve de registar no trimestre.
-Por Giovanni Legorano (giovanni.legorano@wsj.com)