LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O produto interno bruto de Portugal deve registar uma contração acentuada este ano devido ao impacto do novo coronavírus, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico esta quarta-feira, na mais recente revisão às perspetivas globais em que apresenta dois cenários económicos.
O organismo destacou no relatório que as medidas de paralisação impostas para travar a propagação do vírus levaram a uma redução da atividade económica em média de 20% no segundo trimestre deste ano, o que poderá ser agravado por um segundo surto do vírus.
No primeiro cenário, a OCDE vê um agravamento das medidas de confinamento por causa de um segundo surto do coronavírus, que levará a uma contração do PIB de 11,3% em 2020. Com apenas um surto do vírus, a economia deve contrair 9,4%, recuperando parcialmente em 2021.
A estimativa anterior, divulgada em novembro do ano passado antes de o vírus ter sido detetado, apontava para um crescimento de 1,8% este ano.
Para 2021, a OCDE prevê um crescimento de 4,8% com um segundo surto do vírus e uma expansão de 6,3% com apenas um surto da Covid-19. A estimativa anterior era de um crescimento de 1,7%.
De acordo com o documento, a taxa de desemprego será elevada em ambos os cenários do vírus em 2020: 13% com um segundo surto e 11,6% com um só surto.
Na visão da OCDE, o consumo privado vai contrair-se 12,5% em 2020, mas aumentar 6,7% no ano seguinte, com dois surtos do vírus. Com apenas um surto, o consumo privado vai contrair-se 10% este ano e aumentar 8,2% em 2021.
A OCDE prevê que, apesar do alívio das medidas de paralisação a partir de maio, a recuperação será afetada pelos rendimentos mais baixos e pelo aumento significativo das poupanças feitas por precaução. “A fragilidade da procura vai pressionar a inflação, o investimento e o emprego”, o que será agravado por um segundo surto, diz o organismo.
O aumento da despesa pública, que estava a diminuir antes da pandemia, vai transformar o superavit orçamental num deficit significativo. “Juntamente com uma profunda contração económica, isto pode aumentar a dívida pública em 2021 para 131% do PIB no cenário de um surto e até 138% do PIB no cenário de dois surtos.”
Relativamente às exportações a OCDE a antecipa uma contração de 15,5% com um surto do vírus e de 18,5% com dois surtos do vírus.
-Por Alexandra Martins Silva (alexandra.silva@webtexto.pt)