OCDE/Portugal: Riscos para o crescimento são significativos

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LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico manteve a previsão de crescimento de Portugal para este ano, mas referiu que a economia enfrenta riscos significativos e descendentes, alertando que é necessário aumentar o investimento e a produtividade, bem como reforçar o sistema bancário.

A organização sediada em Paris disse esta segunda-feira que prevê que a economia portuguesa cresça 1,2%, o mesmo valor que tinha sido avançado em junho. Como principais obstáculos ao crescimento, a OCDE destaca o elevado endividamento empresarial e a fragilidade do setor bancário, que pressionam o investimento. “O elevado desemprego vai impedir o crescimento do consumo”, disse a OCDE no relatório de projeções económicas.

“O crescimento deve continuar fraco. Os riscos são significativos e descendentes”, escreve a organização no seu relatório semestral sobre a economia global.

Pela positiva, a OCDE considera que a recuperação acima do esperado dos parceiros comerciais de Portugal pode impulsionar as exportações do país.

Esta semana, o instituto nacional de estatísticas vai apresentar os dados revistos do PIB do terceiro trimestre, que se estima que tenha crescido 1,6% em termos homólogos. A aceleração da economia representa boas notícias para o governo do primeiro-ministro António Costa, que projeta também um crescimento de 1,2% para este ano.

Contudo, a OCDE não foi a única instituição internacional a alertar para os obstáculos ao crescimento de Portugal este ano. Já desde o verão, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia cortaram as suas estimativas para o país.

Para 2017, a OCDE prevê um crescimento de 1,2%, face aos anteriores 1,3%.

Relativamente ao deficit orçamental deste ano, a OCDE projeta que se situe nos 2,5% do PIB, menos do que a estimativa anterior de 2,9%, de acordo com o relatório.

Para 2017, a organização liderada por Angel Gurría prevê um deficit de 2,1%, face aos 2,6% anteriores.

Sobre o mercado de trabalho, a OCDE tem uma visão otimista, considerando que a taxa de desemprego de Portugal deve cair para 11,0% este ano e 10,1% no próximo. Em junho, a OCDE previa 12,1% para este ano e 11,5% para 2017.

No terceiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego situou-se nos 10,5%.

A OCDE disse ainda que o sistema bancário está fragilizado devido ao elevado nível de crédito malparado no balanço dos bancos.

“O setor bancário continua altamente alavancado, exposto à dívida soberana e aos desenvolvimentos da Zona Euro e pode exigir mais apoio do governo”, disse a OCDE.

Ainda, a OCDE prevê que a dívida pública bruta em percentagem do PIB ascenda aos 151% em 2016 e 150,3% em 2017. Trata-se de uma revisão em alta face aos números avançados em junho.

– Por Eduardo Correia (eduardo.correia@webtexto.pt)

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