(DJ bolsa)– A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, ou OPEP, registou níveis de produção históricos em novembro, disse a Agência Internacional de Energia, ou AIE, esta terça-feira, desafiando os planos do cartel de petróleo de cortar a produção para dar suporte aos preços.
A AIE também disse que os mercados de petróleo encontrarão um maior equilíbrio no primeiro semestre do próximo ano se a OPEP e os seus aliados agirem em conformidade com a promessa de reduzir a oferta.
No dia 30 de novembro, a OPEP decidiu fazer um corte de 1,2 milhões de barris por dia na produção a partir de janeiro de 2017, uma decisão que foi seguida por um acordo com outros produtores, como a Rússia, que decidiu fazer uma redução de 558.000 barris por dia.
Na altura em que “a OPEP estava a decidir o corte da produção, a sua produção de crude de novembro era de 34,2 milhões por dia, um recorde histórico, mais 300.000 barris por dia do que em outubro”, disse a AIE no seu relatório mensal. A agência dá aconselhamento aos países mais industrializados sobre políticas de energia.
O aumento foi em parte determinado pela Arábia Saudita, que produziu um nível histórico de 10,63 milhões de barris por dia em novembro, mais 70.000 barris por dia em relação ao mês anterior.
A OPEP teria agora de cortar 1,7 mil milhões de barris por dia para alcançar o teto de 32,5 milhões de barris por dia, bem mais do que os 1,2 milhões de barris por dia que eram inicialmente estimados. A Arábia Saudita teria de fazer um corte de 572.000 barris por dia em vez de 486.000 barris por dia.
Entre outros países, Angola registou um aumento de 160.000 barris por dia para 1,67 milhões de barris por dia depois de ser retomado a produção num campo que estava encerrado. Na Líbia, o aumento foi de 70.000 barris por dia para 580.000 barris por dia um dia depois de terem sido reabertos os portos petrolíferos.
Desta forma, a oferta global de petróleo subiu em novembro para um recorde de 98,2 milhões de barris por dia, uma vez que uma queda da produção nos países não-OPEP foi mais do que compensada pelo aumento da produção nos países da OPEP, disse a agência sediada em Paris.
Apesar das promessas de corte da produção pelos países não-OPEP, como a Rússia, a AIE reduziu a previsão de crescimento da produção dos países fora do cartel em 255.000 barris por dia no próximo ano. A revisão para um crescimento de 220.000 barris por dia para os países não-OPEP também acontece devido a uma queda acima do esperado da produção na China. A produção de petróleo no país, que não participa nos cortes da produção, tem agora uma previsão de queda de 240.000 barris por ida no próximo ano, depois de uma queda de 335.000 barris por dia este ano.
A AIE disse que, se “a OPEP e os seus parceiros não-OPEP mantiverem as suas promessas, as reservas globais de petróleo podem começar a cair no primeiro semestre de 2017”.
As reservas comerciais nos países industrializados caíram em outubro pelo terceiro mês consecutivo, disse a AIE. Já recuaram 75 milhões desde que atingiram um máximo histórico em julho, mas continuam 300 milhões acima da média de cinco anos.
O crescimento da procura global de petróleo é também melhor do que o esperado e subiu 1,4 milhões de barris por dia em 2016, 120.000 barris por dia acima da previsão anterior da AIE, sobretudo devido à forte procura dos EUA. Os dados robustos da procura dos EUA no terceiro trimestre e as alterações metodológicas para a China foram os fatores principais.
A agência também fez um aumento de 110.000 barris por dia na sua previsão de crescimento da procura global de petróleo em 2017 para 1,3 milhões de barris por dia.
-Por Benoit Faucon (benoit.faucon@wsj.com)