LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O Banco BPI SA aprovou em assembleia-geral, esta terça-feira, a venda de uma participação de 2% na unidade Banco de Fomento Angola SA à Unitel SA, por EUR28 milhões de euros, o que soluciona a questão há muito adiada do excesso de exposição a Angola.
O BPI perde assim o controlo maioritário do BFA para a Unitel e passa a deter 48,1% do capital do banco angolano. Em termos contabilísticos, isto significa que o BPI deixará de se apropriar da totalidade dos resultados do BFA e passará a consolidar a unidade angolana através do método de equivalência patrimonial.
Em 2014, o BCE colocou Angola numa lista de países que comportam maior risco do que os Estados-membros da Zona Euro e impôs ao banco português a redução da exposição aos ativos angolanos.
O BPI aprovou em setembro a venda de 2% do capital do BFA à Unitel, a segunda maior acionista do banco angolano, mas a operação estava dependente da aprovação dos reguladores da banca em Angola e na Europa.
Já esta terça-feira, o Banco Central Europeu disse que “não teria razões para objetar à desconsolidação do BFA”, desde que isso corresponda a uma diminuição da influência do BPI no banco angolano. Na prática, o BPI não poderá controlar sozinho ou exercer uma influência dominante no BFA.
Na segunda-feira, o BPI comunicou a aprovação do Banco de Angola à operação e que a angolana Unitel SA pagou ao Banco BPI $30 milhões que ainda eram devidos pela compra de uma participação de 49,9% no BFA, em 2008, outra das condições para concretizar a venda.
O banco central de Angola autorizou também o pagamento de EUR36,9 milhões de dividendos do BFA, relativos ao exercício de 2015. Sobre os dividendos de 2014, que correspondem a EUR29,2 milhões, o banco disse que a autorização deverá acontecer em breve. O pagamento dos dividendos estava incluído no acordo de venda da posição do BFA à Unitel.
– Por Pedro Barros Costa (pedro.costa@webtexto.pt)
– Carla Canivete, Gonçalo Saraiva Amaro contribuíram para este artigo.