(DJ Bolsa)– Ao prolongar o programa de compra de obrigações, em dezembro, o Banco Central Europeu adquiriu um luxo: o tempo.
Os responsáveis de política monetária em Frankfurt decidiram prolongar o programa de compra de ativos, também conhecido por programa de alívio quantitativo, por nove meses até ao final de 2017, mas reduzindo o montante mensal de compras para EUR60 mil milhões ($63 mil milhões) face a EUR80 mil milhões, depois de março.
Os responsáveis do BCE estão a apostar que o nível de estímulo dará um forte suporte a uma economia fraca durante um período de eleições importantes na Zona Euro a 19 países.
Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu deixou cuidadosamente a porta aberta para um novo impulso se as perspetivas económicas piorarem: incluindo uma aceleração das compras de obrigações. No entanto, este movimento parece improvável se a economia continuar a fortalecer-se e a inflação se dirija para a meta do banco central. As preocupações aumentam também em relação aos possíveis efeitos colaterais das medidas de estímulo do BCE na economia da área monetária.
Um corte adicional à taxa de juro parece ainda mais improvável, tendo em conta as dificuldades existentes em algumas partes do setor bancário europeu. Os banqueiros reclamam que as taxas negativas do BCE diminuem os lucros, porque não podem passar os encargos para os clientes. As preocupações acerca das taxas de juro extremamente baixas permanecem em força na Alemanha, o maior acionista do BCE.
Isto significa que o primeiro trimestre provavelmente não irá dar muito trabalho aos responsáveis de política monetária em Frankfurt. Com os preços de petróleo em alta, a inflação deve dirigir-se para o alvo do BCE de pouco abaixo dos 2%. O primeiro teste pode estar agendado para meados de março, quando os eleitores holandeses podem escolher dar força aos partidos populistas na Europa.
– Por Tom Fairless (tom.fairless@wsj.com)