(DJ Bolsa)– É quase certo que a Reserva Federal dos EUA vai manter as taxas de juro na reunião de política monetária que termina esta quarta-feira. A presidente da Fed, Janet Yellen, não realizará uma conferência de imprensa depois da reunião e o banco central não divulgará novas projeções económicas. O foco estará no comunicado, que será divulgado após o encontro de política monetária, às 1900 TMG. O comunicado poderá dar uma perspetiva sobre o que os responsáveis pensam acerca do aumento das taxas de juro e quando poderá ocorrer. Será a isto que os investidores devem estar atentos.
Março poderá ser o mês?
Os responsáveis da Fed podem aumentar as taxas de juro no seu encontro de março? Não é provável que o comunicado inclua qualquer menção explícita à próxima alteração das taxas de juro, mas pode oferecer sinais sobre a prontidão dos responsáveis para aumentar os custos de financiamento, após uma subida de um quarto de ponto percentual em dezembro. Os responsáveis sinalizaram que devem aumentar as taxas de juro em um quarto de ponto percentual por três vezes em 2017, enquanto Yellen disse recentemente que espera aumentar as taxas de juro “algumas vezes por ano” até 2019. Abrir agora as portas para um aumento das taxas de juro em março pode dar aos mercados tempo para se prepararem. Por outro lado, os responsáveis podem decidir que há pouca necessidade de aumentar as taxas no curto prazo. Yellen vai comparecer perante comissões do Congresso a 14 e 15 de fevereiro e pode escolher essa altura para sinalizar a probabilidade de uma alteração da política em março.
O rumo da inflação
Os responsáveis da Fed receberam algumas boas notícias no início desta semana, quando o Departamento de Comércio deu conta de um aumento do indicador da inflação preferido pelo banco central, o índice de preços com gastos no consumo pessoal, ou PCE na sigla em inglês. O indicador subiu 1,6% em dezembro em relação ao mesmo mês do ano anterior, levando a Fed a estar um passo mais perto da sua meta de inflação de 2%. Grande parte desse aumento, no entanto, aconteceu devido à estabilização dos preços do petróleo. O indicador que exclui a volatilidade dos preços dos bens alimentares e energia tem ficado praticamente estável nos últimos seis meses. Ainda assim, se o comunicado da Fed surgir com um tom otimista sobre o crescimento dos preços, isso poderá indicar que os responsáveis acreditam estar perto de atingir a meta definida.
O efeito Trump
Esta será a primeira reunião da Fed na era Trump. Embora seja improvável que o comunicado da Fed mencione o novo Presidente, pode falar sobre os seus planos políticos, notando a possibilidade de um crescimento mais rápido, devido a propostas de cortes de impostos e aumento das despesas do governo. Vários responsáveis da Fed disseram recentemente que tais medidas orçamentais podem sobreaquecer a economia e impulsionar a inflação, o que poderá levar o banco central a aumentar os custos de financiamento. Se mencionarem esses receios — talvez na secção sobre riscos ao outlook — poderá sinalizar que estão preparados para responder.
Equilibrar o balanço
Três rondas de programas de compras de obrigações levaram a Reserva Federal dos EUA a acumular $4,5 biliões de ativos. Alguns responsáveis agora dizem que 2017 pode ser o ano para começar a discutir quando e como começar a reduzir o balanço. O presidente do banco da Reserva Federal de Filadélfia, Patrick Harker, disse, por exemplo, que as medidas para iniciar o processo “devem acontecer em algum momento deste ano, se as coisas funcionarem pelo menos como espera”. Este é um território novo para a Fed e os responsáveis podem querer dar aos mercados algum tempo antes de adotar qualquer medida. Os responsáveis podem sinalizar que a discussão começou por ajustar a linguagem no seu comunicado sobre os planos para reinvestir nos recursos na maturidade de obrigações da Fed.
Novos elementos com direito de voto
O Comité de Operações no Mercado Aberto, ou FOMC, da Reserva Federal dos EUA vai perder três dos seus elementos mais hawkish este ano, os presidentes dos bancos de Kansas, Esther George, de Cleveland, Loretta Mester, e Eric Rosengren, de Boston. Todos divergiram na reunião de setembro, alegando que queriam aumentar as taxas, enquanto a maioria votou para as manter. O presidente do banco da Reserva Federal de St. Louis, James Bullard, também foi membro votante da Fed no ano passado, mas já não será em 2017 devido ao sistema de rotação anual. Dos quatro presidentes de bancos regionais que vão ocupar os seus lugares, três vão votar pela primeira vez no FOMC: Harker, de Filadélfia, Robert Kaplan, de Dallas e Neel Kashkari, de Mineápolis. Charles Evans, de Chicago, é o outro responsável a ter direito de voto no FOMC. Não é esperada nenhuma divergência esta quarta-feira, desde que nenhum responsável defenda abertamente um aumento das taxas de juro nesta reunião. No entanto, as ações dos novos responsáveis que têm poder de voto no FOMC podem ter um interesse prático em 2017.
– Por David Harrison (david.harrison@wsj.com)