WASHINGTON (DJ Bolsa)– A Reserva Federal dos EUA disse esta quarta-feira que manteve o rumo de subida gradual de taxas de juro de curto prazo e não deu quaisquer indicações sobre quando poderá surgir o próximo aumento das taxas.
Depois de uma reunião de dois dias, os responsáveis decidiram manter de forma unânime a taxa diretora num intervalo entre 0,50% e 0,75%, ao mesmo tempo que notaram num comunicado as recentes melhorias da economia. Os responsáveis subiram as taxas em um quarto de ponto percentual em dezembro e indicaram três aumentos da mesma ordem em 2017.
Os investidores não aguardavam uma alteração dos juros esta quarta-feira e procuravam um sinal sobre o que sucederá na próxima reunião, em março. Até esta quarta-feira, os investidores previam uma possibilidade de cerca de 25% de um aumento nessa altura.
A reunião desta semana do banco central surge num momento em que a economia mostra sinais de melhoria. Vários responsáveis disseram que o mercado de trabalho está quase na força máxima, com o forte crescimento do emprego a manter a taxa de desemprego nos 4,7%. A inflação também se moveu em direção à meta da Fed de 2%, ao situar-se nos 1,6% em dezembro em termos homólogos. Parte deste aumento pode ser atribuído à estabilização dos preços do petróleo. A Fed disse que espera que a “inflação avance para 2% no médio prazo”.
O crescimento económico, que afundou na primeira metade de 2016, parece ter encontrado uma base mais sólida, ao registar uma expansão de 1,9% no quarto trimestre face ao período homólogo.
O comunicado também notou que os “indicadores de sentimento dos consumidores e das empresas melhoraram ultimamente”.
Um indicador de confiança do consumidor atingiu um máximo de 15 anos em dezembro. Dados recentes também sugerem que os investidores e os consumidores também anteveem um crescimento mais forte. Os indicadores baseados no mercado das expectativas de inflação têm subido nos últimos meses.
A Fed não mencionou quaisquer desenvolvimentos que poderão desviar o banco do rumo definido de aumento das taxas. O comunicado descreve os riscos para o outlook como “razoavelmente equilibrados”, o que significa que os responsáveis consideram igualmente provável que a economia tenha um melhor ou pior desempenho do que o previsto. Os responsáveis dizem que vão continuar a “seguir atentamente a inflação e os desenvolvimentos económicos e financeiros globais”.
Mas a volatilidade económica pode surgir inesperadamente.
Alguns responsáveis têm dito que as propostas de cortes de impostos e de aumento da despesa do Presidente dos EUA, Donald Trump, poderão fazer com que a economia cresça mais rápido que o projetado, o que poderá causar uma inflação demasiado rápida e levar a Fed a subir o ritmo de aumento das taxas de juro.
Trump também prometeu rever os acordos comerciais, o que poderá levar a uma maior incerteza económica e financeira
A presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, mencionou anteriormente “o potencial para as alterações de política orçamental afetarem o outlook económico e o rumo apropriado de politica” monetária.
O comunicado da Fed não faz qualquer menção à política orçamental ou às propostas de Trump.
Os responsáveis deverão lançar na reunião de março novas projeções económicas e Yellen deverá comparecer na habitual conferência de imprensa trimestral. Nessa altura, os responsáveis terão dados da inflação de janeiro e mais dois relatórios de emprego, de janeiro e fevereiro.
Yellen também deverá discursar perante o Congresso a 14 e 15 de fevereiro, ocasião em que poderá fazer uma atualização dos progressos económicos e abordar os planos da Fed para as taxas.
– Por David Harrison