(DJ Bolsa)– A economia global vai ganhar ímpeto em 2018, impulsionada em grande parte pela recém-aprovada reforma fiscal dos EUA, diz o Fundo Monetário Internacional no mais recente conjunto de projeções económicas.
O crescimento mundial, ajustado à inflação, vai crescer 3,9% por ano em 2018 e 2019, o que será a taxa mais forte desde 2011 e representa uma revisão em alta de 0,2 pontos percentuais face às projeções do FMI em outubro.
Quando o FMI tinha apresentado o relatório de projeções anterior ainda não se conheciam detalhes da reforma fiscal dos EUA, nem era garantido que seria aprovada. Esta é assim a primeira estimativa do FMI sobre como a reforma fiscal vai ter efeitos na economia mundial, agindo como um elevado, mas temporário, estímulo orçamental alimentado por um deficit. As alterações ao código fiscal dos EUA “devem ser responsáveis por cerca de metade da revisão em alta às previsões de crescimento económico global ao longo dos próximos dois anos”, disse o FMI.
O fundo apresentou o conjunto de projeções num evento na cidade suíça de Davos, onde os líderes mundiais e empresários se reúnem para o Fórum Económico Mundial. O FMI disse que o crescimento acelerou em 120 economias em 2017, o que representa cerca de 75% do PIB mundial. O FMI refere que esta foi “a maior subida sincronizada do crescimento global desde 2010”.
A alteração ao código fiscal dos EUA com maior consequência será a redução dos impostos às empresas, que devem levar a uma aceleração do investimento empresarial, diz o fundo.
Estas projeções também assumem que as receitas fiscais vão cair mais do que a despesa, aumentando o deficit mas atuando como um estímulo orçamental que aumentará o crescimento dos EUA.
Os EUA devem crescer cerca de 2,7% em 2018, acima dos 2,3% esperados no relatório anterior. A projeção para 2019 aponta para um crescimento de 2,5%, face aos anteriores 1,9%.
Até 2020, os efeitos das alterações fiscais vão fazer a economia dos EUA ser cerca de 1,2% maior do que seria sem a reforma.
No entanto, daí para a frente, o foco desta legislação no curto prazo pode tornar-se um risco.
Muitas das provisões da legislação são temporárias e o seu efeito vai desaparecer. O FMI diz que o crescimento económico a partir de 2022 deve ser mais fraco do que esperava antes para os EUA.
“A nossa opinião é de que a atual aceleração, ainda quem bem-vinda, não deve tornar-se ‘o novo normal’ e enfrentará perigos de médio prazo que vão aumentar com o tempo”, disse Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI.
Obstfeld diz que após um par de anos, as duas maiores economias do mundo, os EUA e a China, “devem enfrentar um crescimento mais lento”. A China já está a tentar conter o crescimento do crédito na economia, o que deverá abrandar o produto interno bruto. Nos EUA, “a crescente dívida federal vai pesar ao longo do tempo”, disse Obstfeld.
-Por Josh Zumbrun at Josh.Zumbrun@wsj.com