(DJ Bolsa)– A produção de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, ou OPEP, registou recordes em setembro, disse a Agência Internacional de Energia, ou AIE, esta terça-feira, o que ilustra os desafios que o cartel enfrenta para reduzir a produção.
No mês passado, a OPEP chegou a um entendimento para reduzir a quantidade de petróleo que produz, de forma a eliminar parte do excedente global –o que representaria o primeiro corte em oito anos.
No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, a AIE disse que a produção da OPEP aumentou 160.000 barris por dia para um recorde de 33,64 milhões de barris por dia em setembro. Isto quer dizer que a OPEP teria de reduzir a produção entre 640.000 e 1,14 milhões de barris para chegar ao limite de 32,5 milhões a 33 milhões de barris por dia que foi firmado na reunião em Argel.
“A OPEP abandonou efetivamente a política de mercado livre que iniciou há quase dois anos”, disse a AIE.
O Iraque, cujos níveis de produção foram um dos principais pontos de discórdia em Argel por contrariarem estimativas de órgãos independentes, produziu um valor recorde de 4,46 milhões de barris por dia, uma subida de cerca de 90.000 barris por dia, disse a AIE.
A produção da Líbia, Irão e Nigéria também aumentou, ao ritmo de 70.000 barris por dia, 30.000 barris por dia e 20.000 barris por dia, respetivamente, disse a AIE.
Mais aumentos por parte destes três países — que ficaram isentos do acordo de Argel — “sugerem que serão necessários cortes mais elevados por parte de outros [membros], como a Arábia Saudita”, disse a agência. A produção saudita caiu cerca de 20.000 barris por dia para 10,58 milhões de barris por dia, segundo a AIE.
A procura deve aumentar 1,2 milhões de barris por dia em 2017, disse a AIE.
A agência reviu em alta a estimativa para o consumo global em cerca de 200.000 barris por dia para 97,5 milhões de barris por dia.
A AIE alertou que se “o mercado ficar à mercê das suas forças, pode continuar com excesso de produção na primeira metade do próximo ano”. Mas “se a OPEP mantiver o novo alvo, o reequilíbrio do mercado pode acontecer mais cedo”, acrescentou a AIE.
-Por Benoit Faucon (benoit.faucon@wsj.com)