Caixa Geral de Depósitos quer reduzir custos após prejuízo recorde em 2016

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LISBOA (DJ Bolsa)– A Caixa Geral de Depósitos quer aumentar a rentabilidade e levará a cabo uma redução dos custos como forma de o alcançar, de acordo com o plano estratégico para 2020 apresentado esta sexta-feira.

O banco prevê uma redução de 20% dos custos operacionais até ao final do período, através da diminuição do número de balcões para 470 a 490 face aos 651 atuais e do número de trabalhadores para até 6.650 face a 8.868 atualmente.
Esta e outras medidas, como o controlo do risco, deverão levar o banco a atingir um retorno sobre os capitais próprios, ou ROE, em 2020 superior a 9%.

Num comunicado em separado, a CGD disse que terminou o ano passado com o prejuízo líquido mais elevado da sua história, devido a um pesado esforço de provisionamento que o governo português e a Comissão Europeia esperam deixar o banco mais bem preparado para regressar à rentabilidade no longo prazo.

O banco reportou um prejuízo líquido de 1,86 mil milhões de euros ($1,99 mil milhões) face a um prejuízo de EUR171 milhões em 2015. O prejuízo mais avultado da CGD até esta data foi reportado em 2013 e ascendia a EUR579 milhões.

O enorme prejuízo é essencialmente explicado pelo reforço das provisões e imparidades, que ascenderam a EUR3,02 mil milhões e permitem ao banco alcançar um rácio de cobertura global do crédito de 79%. De acordo com o plano estratégico, a CGD continuará a reduzir o risco do balanço, aumentando a cobertura de crédito, entre outras medidas.

Esta operação faz parte de um programa de recapitalização apresentado à Comissão Europeia, que culminará numa injeção de capital por parte do governo de EUR2,5 mil milhões e que já contou com uma primeira fase de reforço de capital em espécie, concluído em janeiro, no valor de EUR1,43 mil milhões.

A Comissão Europeia disse esta sexta-feira que a recapitalização do banco estatal português, no valor total de EUR3,9 mil milhões será feita em condições de mercado e, por isso, não constitui ajuda estatal.

Apesar de elevado, o valor do prejuízo de 2016 fica significativamente abaixo dos EUR3 mil milhões incluídos num plano apresentado pelo anterior presidente da CGD, António Domingues, a Bruxelas e que contava com um esforço de provisionamento mais profundo do que aquilo que se veio efetivamente a registar.

Isto abriu caminho a que o montante de novo capital que o governo terá de injetar na CGD seja inferior aos EUR2,7 mil milhões previstos em dezembro. Para o governo, esta é uma boa notícia, uma vez que cria uma folga no orçamento deste ano, onde se contabilizou uma verba de EUR2,7 mil milhões para esta operação.

A contar também para a melhoria dos resultados, a margem financeira — a diferença entre os juros pagos nos depósitos e cobrados nos empréstimos — subiu ligeiramente para EUR1,15 mil milhões contra EUR1,09 mil milhões no ano anterior. Os custos operacionais desceram para EUR1,24 mil milhões face a EUR1,37 mil milhões em 2015, com a CGD a referir uma melhoria de todas as componentes.
O rácio core Tier 1 situava-se nos 11,8% a 31 de dezembro, de acordo com as regras da Autoridade Bancária Europeia numa base de implementação total e depois de contabilizadas as duas fases do processo de recapitalização em curso.

Além das operações já realizada e da injeção de EUR2,5 mil milhões, o banco fará também uma emissão de EUR930 milhões de instrumentos de capital core Tier 1 junto de investidores não relacionados com o Estado português, de acordo com o comunicado emitido esta tarde pela Comissão Europeia.

– Por Carla Canivete (carla.canivete@webtexto.pt)

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