LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O Fundo Monetário Internacional reviu esta quinta-feira em alta as projeções de crescimento de Portugal, apontando para perspetivas favoráveis, suportadas pelo aumento do investimento, das exportações e do consumo.
Na conclusão da sexta avaliação pós-programa, o fundo disse que acredita que Portugal vai crescer 2,6% em 2017, face aos 2,5% da projeção anterior, divulgada em setembro. Para 2018, o FMI antecipa um crescimento de 2,2%, contra 2,0% antes.
Os números colocam o FMI em linha com as projeções do governo português no Orçamento do Estado para 2018.
Quanto aos riscos, parecem mais “equilibrados a curto prazo”, escreve o fundo. As ameaças para o crescimento podem vir do progresso insuficiente das reformas, mas também da incerteza política em Espanha. O elevado nível da dívida pública, que o FMI estima que deve atingir os 125,8% do PIB este ano, também é uma vulnerabilidade a médio prazo.
O forte crescimento vai permitir ao governo baixar o deficit, diz o FMI. O fundo melhorou as previsões para este ano e para o próximo. Para 2017, FMI projeta um deficit de 1,4% do PIB, contra 1,5% na estimativa anterior. Para 2018, o saldo negativo das contas públicas deve contrair-se para 1,1%.
“Os alvos orçamentais para 2017 e 2018 parecem estar ao alcance e os spreads das obrigações contraíram-se significativamente”, diz o fundo, no relatório.
O Fundo Monetário Internacional revelou ainda que a banca, um dos problemas centrais do país nos últimos anos, mostra sinais de melhoria, uma vez que os bancos foram capazes de obter mais liquidez e continuam a progredir na redução do crédito malparado.
Por sua vez, os peritos do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia também deram nota positiva à avaliação da economia portuguesa. Tanto Bruxelas como Frankfurt dizem que esta é uma oportunidade para Portugal resolver os desequilíbrios económicos, “em particular a elevada dívida pública e o endividamento do setor privado”.
Para isso, é importante o reforço a consolidação orçamental, dizem as duas entidades, uma vez que o atual ajustamento estrutural planeado pelo governo ainda “está em risco” de falhar os objetivos do Pacto de Estabilidade e Crescimento.
– Por Gonçalo Saraiva Amaro (goncalo.amaro@webtexto.pt)