LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O Banco Comercial Português disse, esta segunda-feira, que o lucro líquido do primeiro trimestre aumentou 7,4%, graças à melhoria da margem financeira e a uma redução das imparidades de crédito.
Nos primeiros três meses do ano, o lucro líquido do banco foi de EUR50,1 milhões ($54,8 milhões), acima de EUR46,7 milhões no período homólogo e contrariando as expectativas gerais do mercado, que apontavam para uma pequena queda do resultado líquido.
O lucro foi impulsionado por um dos principais motores dos bancos, a margem financeira. Nos três primeiros meses de 2017, a diferença entre os juros pagos nos depósitos e cobrados nos empréstimos subiu cerca de 14% para EUR332,3 milhões contra EUR292,4 milhões no mesmo período do ano passado.
Este registo levou a um aumento de quase 20% das operações estratégicas do banco, que correspondem ao agregado da margem financeira e das comissões menos os custos operacionais. O banco liderado pelo CEO Nuno Amado referiu que este indicador “mais do que quintuplicou desde o primeiro trimestre de 2013”, atingindo os EUR254,8 milhões no 1T de 2017.
As provisões contra crédito malparado também diminuíram para EUR148,9 milhões, face a EUR160,7 milhões no trimestre homólogo, depois de o ano passado ter sido marcado por um forte esforço do ponto de vista das provisões contra incumprimentos de crédito, que levou os resultados do segundo e terceiro trimestres ao vermelho.
No total de 2016, o banco reportou imparidades de crédito de EUR1,12 mil milhões.
Em marcha continua o plano de redução da exposição a ativos tóxicos, que caiu para EUR8,3 mil milhões em Portugal no primeiro trimestre. Esta tem sido uma das prioridades do banco, que pretende baixar o indicador para menos de EUR7,5 mil milhões até ao final deste ano.
Nesta rubrica, o banco tem estado particularmente ativo na tentativa de reduzir o crédito malparado, tendo anunciado uma descida do crédito vencido há mais de 90 dias para EUR4,8 mil milhões no primeiro trimestre, face a EUR5 mil milhões no trimestre homólogo.
Os custos operacionais também caíram, à semelhança do que aconteceu no trimestre anterior. O BCP registou uma diminuição de 2% da rubrica, tendo gasto EUR238,2 milhões nos primeiros três meses do ano, face a EUR243,1 milhões no mesmo período do ano anterior. A maior diminuição dos custos operacionais veio dos gastos com pessoal.
Quanto ao rácio core Tier 1 numa base de implementação total das regras da Autoridade Bancária Europeia, o banco registou um aumento para 11,2% em março, face aos 9,7% a 31 de dezembro. A melhoria fica a dever-se ao efeito combinado da operação de aumento de capital de EUR1,33 mil milhões realizada em fevereiro 2017 e da retenção do lucro líquido do trimestre.
As ações do BCP fecharam esta segunda-feira a valer EUR0,2246.
– Por Gonçalo Saraiva Amaro (goncalo.amaro@webtexto.pt)