Banco de Portugal corta projeção de crescimento do PIB para 2021

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LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– A economia de Portugal vai mesmo contrair 8,1% este ano e crescer menos do que o previsto no próximo, de acordo com o Banco de Portugal, devido ao impacto acentuado da pandemia.

No Boletim Económico de Dezembro, divulgado esta segunda-feira, a instituição manteve a projeção de contração para 2020 adiantada em outubro mas reduziu a perspetiva de crescimento para 2021, para 3,9% do PIB, quando em junho acreditava numa expansão da atividade económica de 5,2%.

“As medidas de contenção da crise de saúde pública e a atitude de precaução dos agentes económicos determinaram uma queda sem precedentes do PIB na primeira metade do ano”, lê-se no relatório do Banco de Portugal.

Apesar de antecipar um registo de recuperação nos próximos três anos, o Banco de Portugal considera que a atividade deve ficar “condicionada até ao início de 2022, altura em que uma solução médica eficaz estará plenamente implementada”.

A atividade retoma o nível pré-pandemia no final de 2022, altura em que o produto interno bruto deve subir 4,5%. Em 2023, a trajetória de crescimento deve abrandar para 2,4%.

O impacto da pandemia sobre o desemprego vai manifestar-se com mais força no próximo ano, com a instituição a prever que Portugal feche 2021 com uma taxa a atingir um pico de 8,8%. Para este ano, a taxa de desemprego deve chegar aos 7,2%, contra os 7,5% projetados em outubro.

As exportações, um dos impulsionadores da economia portuguesa, vão afundar 20,1% em 2020, um pouco mais do que os 19,5% previstos em outubro. Ainda assim, será também o setor que mais vai recuperar em 2021 e 2022, segundo o Banco de Portugal, que projeta uma recuperação de 9,2% e 12,9%.

“Todos estes números estão envoltos em enorme incerteza”, disse o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, na conferência de imprensa da apresentação do boletim.

O Banco de Portugal manteve dois cenários de projeção, que variam conforme a evolução da pandemia e das medidas de contenção impostas no país e no mundo.

“O cenário moderado assume uma diminuição das infeções, após o aumento recente, e uma solução médica no início de 2021”, enquanto o “cenário severo assume uma maior dificuldade em controlar o crescimento dos novos casos no final de 2020 e um aumento de novas infeções no primeiro trimestre de 2021”, disse o banco central.

No cenário mais pessimista, o Banco de Portugal antecipa que o PIB cresça 1,3% em 2021 e 3,1% em 2022, convergindo para uma taxa de crescimento próxima do cenário base em 2023.

– Por Gonçalo Saraiva Amaro (gonçalo.amaro@webtexto.pt)

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