LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O Banco de Portugal cortou esta quinta-feira a projeção do produto interno bruto para 2020 para terreno de contração, devido ao impacto económico da pandemia de coronavírus, optando por traçar dois cenários em função da evolução da crise de saúde mundial.
“As perspetivas para a economia portuguesa deterioraram-se abrupta e significativamente em resultado do impacto da pandemia Covid-19”, refere o banco central, adiantando que haverá “um choque económico adverso com efeitos muito significativos e potencialmente prolongados no tempo”.
No Boletim Económico de Março, o Banco de Portugal prevê uma contração do PIB de 3,7% no cenário base e de 5,7% no cenário adverso em 2020, face a uma expansão de 1,7% apontada nas estimativas de dezembro.
“Ambos os cenários contemplam uma recessão da economia portuguesa em 2020. O choque deverá atingir o seu pico no segundo trimestre deste ano, prevendo-se uma normalização gradual a partir do segundo semestre”, refere o Banco de Portugal.
O governo previa um crescimento de 1,9% em 2020, mas a pandemia fez com que o ministro das Finanças Mário Centeno admita agora um cenário de recessão no curto prazo, seguida de uma recuperação.
Em 2021, o crescimento deverá ser de 0,7% no cenário base e de 1,4% no cenário adverso, refere o boletim, face a uma previsão anterior de 1,6%, mas a recuperação estará dependente da envolvente externa.
“O impacto da crise pandémica tem uma natureza muito persistente, associada à destruição de capacidade produtiva instalada, não se observando um retorno do nível do PIB à trajetória projetada no boletim de dezembro de 2019. O perfil da atividade económica em Portugal acompanha os desenvolvimentos a nível global e, em particular, na área do euro”, refere o Banco de Portugal.
A crise vai também refletir-se no desemprego. O Banco de Portugal prevê agora uma subida acentuada da taxa de desemprego para 10,1% no cenário base e 11,7% no cenário adverso, contra uma previsão anterior de 5,9%.
As exportações, que representam uma importante parcela do PIB de Portugal, também vão ressentir-se bastante com a crise: o banco prevê uma contração de 12,1% no primeiro cenário e de 19,1% no segundo.
Já a inflação deve abrandar acentuadamente. O índice harmonizado de preços no consumidor, ou IHPC, deve aumentar apenas 0,2% no cenário base, existindo mesmo a possibilidade de uma entrada em deflação, com uma queda dos preços de 0,1%, no pior cenário.
– Por Pedro Barros Costa (pedro.costa@webtexto.pt)