LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– O banco central de Portugal anunciou esta quarta-feira uma revisão em forte alta das projeções para o crescimento económico do país este ano e no próximo, ajudado pela procura interna, exportações e investimento.
O Banco de Portugal prevê que o produto interno bruto cresça 1,8% em 2017 e 1,7% em 2018 face às projeções de dezembro, que apontavam para uma expansão de 1,4% e 1,5%, respetivamente. Para 2019, o último ano do espetro de projeções, o banco estima um ligeiro abrandamento da taxa de crescimento, para 1,6%.
Os dados estão em linha com declarações feitas esta manhã pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, numa entrevista à Bloomberg TV. O ministro refere que vai rever as projeções de crescimento para este ano em abril, quando for enviado o plano de crescimento para Bruxelas, e que o valor do PIB deve ficar “algures perto de 2%”.
O crescimento deste ano será suportado dentro e fora das fronteiras do país. A projeção para a procura interna aponta para um aumento de 2,5% em 2017, mais 1 ponto percentual do que o banco tinha apontado em dezembro. As exportações devem progredir 6,0% contra 4,8% na projeção anterior, beneficiando sobretudo da atividade turística e, em particular, da realização de eventos de relevância internacional no país, como a visita do Papa a Fátima, que está agendada para maio, e a realização da edição deste ano da Web Summit, em novembro.
O mercado laboral terá também um desempenho mais forte, com a taxa de desemprego a baixar já este ano dos dois dígitos. De acordo com o relatório, a taxa deverá descer para 9,9% em 2017 e 9,0% em 2018, contra as projeções de dezembro 10,1% e 9,4%, respetivamente.
Apesar desta evolução, o banco nota que o consumo privado não acompanhará o ritmo de melhoria, uma vez que continuará a ser travado pelo baixo crescimento dos salários reais e pelos níveis ainda elevados de endividamento das famílias. O consumo privado deve crescer 2,1% em 2017, acima da previsão de dezembro de apenas 1,3%. Para 2018, a estimativa mantém-se a 1,4%.
O banco central destaca também os números do investimento, cujo crescimento diz estar “ancorado em expectativas positivas para a procura global, bem como na manutenção de condições de financiamento favoráveis”. O crescimento da formação bruta de capital fixo para este ano foi revisto em alta para 6,8% face a 4,4% em dezembro.
– Por Carla Canivete (carla.canivete@webtexto.pt)