BCE: Cinco conclusões a reter da conferência de imprensa

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(DJ Bolsa)– O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, parecia estar esta quinta-feira determinado em dar o mínimo de informação possível ao mercado em relação ao pensamento do banco central. Isto acontece numa altura em que os responsáveis se preparam para tomar uma decisão crucial, em dezembro, sobre o prolongamento do programa de compra de obrigações além de março. Em grande parte, o objetivo foi alcançado e a prova é que a conferência de imprensa que se seguiu à decisão de manter as taxas de juro durou menos 13 minutos do que o habitual. Eis cinco conclusões a retirar dos 47 minutos em que o BCE pareceu reger-se pelas regras da esgrima — atacar e defender. A defesa saiu vencedora.

1. Prolongamento. Para os investidores, o grande momento da conferência de imprensa aconteceu quando Draghi disse que o conselho de governadores não discutiu o prolongamento do programa de alívio quantitativo. Essa informação surpreendente levou o euro a apreciar. Mais tarde, Draghi acrescentou que os responsáveis tinham também ouvido os economistas do banco central sobre as alterações ao plano que tornariam uma extensão possível. Nessa altura, o euro voltou à casa de partida.

2. Pistas. Embora tenha sido cauteloso a evitar qualquer coisa que pudesse ser entendida como uma promessa, Draghi pontuou a conferência de imprensa com comentários que sugerem que não é provável que as compras de ativos parem em março. “A minha perceção é de que uma paragem súbita não está na cabeça de ninguém”, disse. “Não é algo que as pessoas naturalmente contemplem.”

3. Redução. Draghi disse que os responsáveis passaram ao lado da questão de reduzir o ritmo de compras mensais caso o programa continue para lá de março. Mas caracterizou uma notícia de que o plano seria estreitado como tendo por base “um comentário extemporâneo feito por alguém que não tem qualquer sinal ou informação sobre isso”.

4. Dezembro. A mensagem base de Draghi foi de que o conselho de governadores precisa de mais tempo para considerar as opções e o responsável sublinhou o facto de os economistas do banco central apresentarem as primeiras projeções para 2019, por altura da reunião de 8 de dezembro. Draghi também notou que qualquer alteração da inflação relativamente ao alvo do BCE de pouco menos de 2% teria de ser “sustentável e duradoura”.

5. Brexit. A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia praticamente não foi mencionada, uma indicação de que realmente o referendo de junho não teve grande impacto na economia da Zona Euro. Pelo menos por agora.
– Por Paul Hannon

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