BCE/Draghi: Estímulos são ingrediente chave para a recuperação

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(DJ Bolsa)– O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, renovou o apelo para que os políticos da Zona Euro implementem reformas económicas para melhorar o crescimento, de forma a aumentar a eficácia da política monetária de estímulos.

Draghi falou esta segunda-feira no Parlamento Europeu, em Bruxelas, e afirmou que, em 2016, “a economia da Zona Euro provou ser resiliente, apesar da incerteza associada ao cenário político e económico”.

“A inflação tem vindo a subir de forma gradual e os estímulos monetários do Banco Central Europeu têm sido um ingrediente chave da recuperação em curso”, acrescentou o responsável do banco central.

Períodos prolongados de taxas baixas são “terreno fértil para riscos para a estabilidade financeira”, disse Draghi, mas “neste momento, o maior risco surge do fraco crescimento, da possibilidade de a nossa recuperação não se fortalecer e de o crescimento travar”, acrescentou.

Draghi deu poucos detalhes sobre o que o banco central vai fazer na reunião de política monetária de 8 de dezembro, quando muitos analistas preveem que o BCE vai prolongar o programa de compra de ativos. Draghi referiu que o BCE vai avaliar formas de dar continuidade ao “grau muito substancial” de estímulos necessários para dirigir a inflação para a meta de médio prazo do banco central, de perto de 2%. Os números mais recentes mostraram que a inflação da Zona Euro é de 0,5%.

Se for tomada “ação decisiva” pelos governos, “as medidas de política monetária da Zona Euro podem ser ainda mais eficazes”, acrescentou.

“O baixo crescimento da produtividade, os problemas no setor bancário e os progressos limitados das reformas estruturais são questões que devem ser resolvidas rapidamente”, acrescentou Draghi.

Draghi acrescentou que a recuperação económica dos EUA está num “estado muito mais avançado” do que na Europa, mas não são claros os efeitos das políticas do Presidente-Eleito dos EUA, Donald Trump, nas taxas de juro e na regulação financeira.

O presidente do BCE depositou também um voto de confiança moderado em Itália — o seu país de origem — antes do referendo constitucional de 4 de dezembro. Draghi considera que a dívida italiana “é sustentável”, observando que os custos de financiamento do país normalizaram nos últimos anos e que o crescimento do país “está a recuperar gradualmente”. Ainda assim, Draghi salientou que o crescimento não deixa “espaço para complacência”. Itália tem um dos mais altos níveis de dívida quando comparada com a produção económica na Zona Euro, deixando-a “vulnerável a choques”.

Quando questionado sobre os potenciais riscos graves que os bancos italianos podem ter que enfrentar se os eleitores rejeitarem o referendo, Draghi recusou-se a responder.

– Por Todd Buell (todd.buell@wsj.com)

– William Wilkes contribui u para este artigo.

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