BCE sem urgência de mais estímulos – Draghi

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O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse esta quinta-feira que a possibilidade de haver novas medidas de apoio à recuperação económica da Zona Euro e de estímulo da inflação está a tornar-se menor.

Numa conferência de imprensa após a reunião de política monetária do BCE, onde o banco central manteve as taxas de juro e os planos de compra de obrigações, Draghi disse que “já não há sentido de urgência em avançar com novas ações”.

“Essa urgência, que era motivada por riscos de deflação, já não existe”, acrescentou.

Draghi disse que a recuperação económica da Zona Euro parece estar a acelerar, mas realça que as pressões inflacionistas subjacentes ainda mostram poucos sinais de aceleração.

Com as perspetivas económicas a melhorar, os responsáveis de política monetária debateram se manteriam o compromisso de deixar as taxas de juros nos níveis atuais ou se iriam baixá-las.

No mês passado, o membro do conselho executivo do BCE, Yves Mersch, questionou a linguagem utilizada pelo banco central, perguntando “por quanto mais tempo podemos continuar a falar de “taxas ainda mais baixas” como sendo uma opção de política monetária?”.

Mas os responsáveis de política monetária do BCE decidiram manter o compromisso.

“Ainda não podemos dizer que já lá chegamos”, disse Draghi.

Draghi invocou sondagens recentes sobre a atividade e o sentimento empresarial como sinal de uma “recuperação firmemente estável”, ao passo que os economistas do BCE aumentaram as previsões de crescimento deste ano para 1,8%, face a 1,7%.

Os mesmos economistas mantiveram a previsão de inflação para 2019 inalterada nos 1,7%, bem abaixo do alvo do BCE e uma indicação de que os responsáveis ainda não estão totalmente confiantes de que a série de estímulos lançada desde 2014 será suficiente.

“Não há sinal de uma tendência ascendente convincente na inflação subjacente”, disse Draghi.

Draghi continua a notar que há “riscos descendentes” para as perspetivas de crescimento, embora os tenha qualificado de “menos pronunciados”.

“O equilíbrio dos riscos melhorou”, afirmou.

As yields das obrigações soberanas e o euro valorizavam depois de Draghi ter dito que o BCE não tinha discutido as operações de refinanciamento de longo prazo direcionadas, ou TLTRO na sigla em inglês, uma facilidade de crédito bancário. A redução das medidas de estímulo do Banco Central Europeu levou as yields das obrigações alemãs a 10 anos a subir para 0,405%, um aumento de cerca de 0,03 pontos percentuais no dia, de acordo com a Tradeweb. O euro também subiu para um máximo intradiário de $1,0596.

Esta quinta-feira, o BCE deixou a taxa de referência dos empréstimos nos 0% e manteve a taxa de depósitos overnight em -0,4%, o que significa que os bancos pagam para depositar fundos no banco central.

O BCE também manteve a previsão, ao dizer que continua a estimar que as taxas continuem “aos níveis atuais ou mais baixos por um período prolongado de tempo e bem depois do horizonte das compras líquidas de ativos”.

O BCE vai reduzir o valor do programa de compra de ativos para EUR60 mil milhões ($63,47 mil milhões) por mês, face a EUR80 mil milhões, a partir de abril. Manterá esse volume até ao final do ano. Draghi disse que a redução não constitui uma restrição da compra de ativos, mas um regresso ao montante original de compras mensais do programa, que começou em março de 2015. O banco central elevou esse montante para EUR80 mil milhões um mês depois do arranque.

– Por Paul Hannon (paul.hannon@wsj.com), Todd Buell (todd.buell@wsj.com)

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