BCP regressa aos lucros no quarto trimestre

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O Banco Comercial Português disse, esta segunda-feira, que regressou aos lucros no último trimestre do ano passado, beneficiando de uma forte descida dos custos operacionais e de um crédito fiscal.

Estes são os primeiros resultados apresentados pelo BCP desde que concluiu um aumento de capital de EUR1,33 mil milhões e pagou os últimos EUR700 milhões de obrigações subordinadas de conversão contingente, ou CoCo, ainda devidas ao Estado.

O lucro líquido do banco foi de 275 milhões de euros ($291,1 milhões), um número que compara com o prejuízo de EUR29,2 milhões no período homólogo. O BCP termina no verde um ano que ficou marcado por um forte esforço do ponto de vista das provisões contra incumprimentos de crédito, que levou os resultados do segundo e terceiro trimestres ao vermelho.

No total de 2016, o lucro líquido desabou para EUR23,9 milhões contra EUR235,3 milhões em 2015, justamente devido a este reforço das provisões. O dinheiro reservado para fazer face ao crédito malparado, que tem vindo a pressionar os resultados da banca portuguesa desde a crise financeira, totalizou EUR1,12 mil milhões em 2016, mais 37% do que no ano anterior.

No entanto, o banco informa que o resultado anual foi penalizado por efeitos não recorrentes — mais-valias sobre obrigações soberanas portuguesas reportadas em 2015 ou reforços extraordinários da cobertura de crédito em 2016, entre outros — sem os quais teria registado um lucro líquido de EUR97,6 milhões face ao prejuízo líquido de EUR22,2 milhões em 2015.

Quanto ao trimestre, as provisões contra crédito malparado aumentaram para EUR246,7 milhões face a EUR204,2 milhões no trimestre homólogo.

A forte redução dos custos operacionais esteve entre as principais razões para a recuperação dos resultados trimestrais. Nos últimos três meses do ano, os custos operacionais situaram-se nos EUR57,6 milhões, bastante abaixo dos EUR256,8 milhões homólogos e influenciados sobretudo pelos custos com pessoal.

O banco terminou o ano com 618 balcões em Portugal e 545 nas unidades internacionais, face a 671 em cada uma das atividades em 2015. O número de colaboradores também diminuiu em ambas as geografias.

Além disso, os resultados do BCP foram também beneficiados por um crédito fiscal de EUR313,7 milhões. As empresas registam ativos por impostos diferidos nos anos em que apuram prejuízos fiscais e podem recuperá-los em exercícios em que apresentem lucros, o que lhes permite aumentar os resultados líquidos. Neste caso, o resultado antes de impostos do BCP era negativo, nos EUR17,8 milhões.

Um dos principais motores de lucro dos bancos, a margem financeira — diferença entre os juros pagos nos depósitos e cobrados nos empréstimos — subiu ligeiramente para EUR323,1 milhões no quarto trimestre contra EUR314 milhões no mesmo período do ano passado.

O rácio common equity Tier 1 situava-se nos 11,1% a 31 de dezembro, de acordo com as regras da Autoridade Bancária Europeia numa base de implementação total e depois do levantamento de capital realizado no início de fevereiro.

Numa apresentação publicada a par dos resultados, o BCP reviu ligeiramente em baixa as previsões face aos números inicialmente avançados em fevereiro do ano passado. O banco estima agora um retorno sobre os capitais próprios de cerca de 10% em 2018, face à estimativa anterior de um ROE superior a 11%.

Estima também um rácio CET1 de cerca de 11% face à formulação anterior de igual ou superior a 11%.

As ações do BCP fecharam esta segunda-feira a valer EUR0,1585.

– Por Carla Canivete (carla.canivete@webtexto.pt)

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