(DJ Bolsa)– O Banco de Inglaterra, ou BOE na sigla em inglês, deve começar a retirar alguns dos estímulos que aplicou em sequência do referendo do Brexit ainda este ano, disse o economista-chefe do banco central, Andrew Haldane, esta quarta-feira.
Num discurso proferido na cidade inglesa de Bradford, Haldane apresentou as razões para esta mudança de posição, explicando que vê agora o risco de aumentar as taxas demasiado tarde como maior do que os riscos de agir demasiado cedo.
“Os riscos de restringir ‘demasiado cedo’ encolheram à medida que o crescimento e, em menor grau, a inflação mostraram maior resiliência do que o esperado”, disse. “E se a política for restringida ‘demasiado tarde’ isto poderá resultar num rumo bastante mais acentuado de subida de taxas no futuro”.
A alteração de opinião de Haldane colide com a de governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, que na terça-feira argumentou contra a subida das taxas, algo contra o qual três dos oito membros do Comité de Política Monetária, ou CPM, votaram na reunião de junho.
Haldane sugeriu que ficou perto de se juntar ao grupo de dissidentes, depois de ter “considerado os argumentos para o aumento das taxas na reunião do CPM” antes de decidir que uma subida mais à frente seria mais prudente.
O responsável notou que as eleições de junho, em que primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, perdeu a maioria absoluta, lançaram “um manto de incerteza”.
Haldane refere que os decisores de política devem preparar-se para remover alguns dos estímulos, sugerindo que por agora apenas favorece uma restrição moderada.
“Uma remoção parcial da política adicional de segurança que o CPM colocou em vigor no ano passado será prudente relativamente em breve, desde que os dados surjam em linha com o esperado no período em frente”, disse. “Certamente, penso que uma restrição deverá ser necessária bastante antes das expectativas de mercado”.
– Por Paul Hannon (paul.hannon@wsj.com)