Crescimento Portugal médio prazo poderia ser mais sustentável

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LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– Apesar de ver com bons olhos a aceleração do crescimento de Portugal na segunda metade do ano passado e de dizer que os alvos orçamentais de 2016 parecem ter sido alcançados, o Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento se mantenha ao mesmo nível este ano e recue levemente em 2018.

Apontando o desempenho positivo do desemprego e das exportações no segundo semestre do ano passado, o FMI diz que os números apontam “para uma melhoria das perspetivas de curto prazo”, embora note que “o crescimento de médio prazo poderia ser colocado num terreno mais sustentável, através da redução dos estrangulamentos estruturais e elevados níveis de dívida das empresas”, de acordo com o relatório publicado após a conclusão da quinta missão de monitorização pós-programa pelo fundo.

Estas missões ocorrem na sequência da conclusão do resgate de EUR78 mil milhões que Portugal recebeu da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI em 2011, depois de se ter visto a braços com uma crise financeira que fez ascender os custos de financiamento do país a níveis insustentáveis.

O FMI prevê que o produto interno bruto real cresça 1,3% este ano, o mesmo nível previsto pelo fundo para 2016, e abrande levemente para 1,2% em 2018. Consequentemente, o fundo acredita que Portugal registará um deficit de 2,1% do PIB este ano, aumentando para 2,3% em 2018.

Quanto ao ano passado, o fundo aponta para um deficit de 2,6%, bastante acima das projeções do governo. De acordo com declarações do ministro das Finanças Mário Centeno, proferidas na semana passada, o deficit não deverá ir além de 2,1% em 2016.

No geral, as projeções do FMI para 2017 são as mesmas que tinham sido avançadas no início de dezembro, quando foram publicadas as conclusões preliminares da missão. As estimativas referentes a 2018 são publicadas pela primeira vez.

O FMI continua a prever desenvolvimentos positivos, quer das exportações, quer da taxa de desemprego, que têm contribuído para a melhoria dos indicadores de Portugal.

As exportações devem crescer 3,6% em 2017 e acelerar para um aumento de 3,9% em 2018, ao passo que a taxa de desemprego deverá seguir o caminho inverso, caindo para 10,6% em 2017 e para 10,1% em 2018.

A dívida pública, diz o FMI, seguirá um trilho descendente e situar-se-á em 129,8% em 2017 e 128,7% em 2018.

O governo tem vindo a tentar reduzir a dívida, nomeadamente através de pagamentos antecipados do empréstimo do FMI. Segundo o governo, Portugal já pagou cerca de metade do total dos perto de EUR26 mil milhões recebidos do fundo aquando da crise.

Tal como em outras avaliações sobre a situação económica de Portugal, o FMI aponta a resiliência do setor financeiro como um dos principais riscos, particularmente a questão do crédito malparado, que continua a pressionar os balanços e a rendibilidade dos bancos.

O fundo deixou uma nota de agrado sobre as propostas do governo para lidar com os incumprimentos de empréstimos, “incluindo medidas de supervisão, legais e judiciais que incentivem os bancos a desfazer-se dos empréstimos malparados e a reduzir o endividamento das empresas”.

– Por Carla Canivete (carla.canivete@webtexto.pt)

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