(DJ Bolsa)– A administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão nos mercados cambiais na terça-feira, com comentários que sugerem que o Japão, a China e a Alemanha estão a beneficiar de uma depreciação das moedas.
“Há vários países a viver [às custas] da desvalorização”, disse Trump num encontro com responsáveis da indústria farmacêutica. “Eles jogam o jogo da desvalorização e nós ficamos a olhar feitos parvos.”
À parte, um conselheiro de comércio dos EUA disse ao Financial Times que a Alemanha está a usar um euro “grosseiramente subvalorizado” para ter vantagem sobre os seus parceiros comerciais, incluindo os EUA.
Os comentários levaram o dólar a derrapar em relação ao iene, ao euro e a outras moedas rivais, originando respostas por parte de responsáveis da Alemanha e Japão, que refutaram os argumentos.
O Secretário da Presidência do Conselho de Ministros, Yoshihide Suga, disse que a política monetária do país “não visa taxas de câmbio, mas pretende alcançar o alvo interno de preços” de uma inflação de 2%, refletindo comentários feitos pelo governador do Banco do Japão, ou BOJ, no dia anterior.
Suga reiterou o compromisso do Japão de aderir aos princípios do Grupo dos 20 países mais industrializados e em desenvolvimento do mundo, ou G-20, de que os países devem evitar desvalorizações competitivas e não ter como objetivo uma taxa cambial para fins comerciais.
Tóquio foi apanhado desprevenido pelas críticas de Trump sobre as políticas cambiais do Japão e da China, que se seguem a uma conversa no sábado entre Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que o Japão caracterizou como “amigável”.
Suga ficou aquém de rotular as palavras de Trump como “intervenção verbal” para influenciar as taxas cambiais, mas disse que o câmbio deve ser determinado pelo mercado financeiro com base nos fundamentais económicos.
Em separado, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que quer explicar a Trump “o quanto o Japão está a contribuir para reforçar a competitividade e produtividade das indústrias dos EUA”, quando se reunirem a 10 de fevereiro.
A chanceler alemã, Angela Merkel, rejeitou também as críticas, numa conferência de imprensa na terça-feira.
– Por James Glynn (james.glynn@wsj.com), Hiroyuki Kachi (hiroyuki.kachi@wsj.com)
– Mitsuru Obe, Megumi Fujikawa contribuíram para este artigo.