(DJ Bolsa)– A presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, sinalizou que o banco central vai considerar aumentar as taxas de juro de curto prazo na próxima reunião de março e deixou uma nota otimista sobre a economia, no testemunho perante o Congresso dos EUA esta terça-feira.
Se os ganhos no emprego e a subida da inflação continuarem como a Fed espera, um aumento da taxa de fundos federais deverá ser apropriado “nas nossas próximas reuniões”, disse Yellen no texto preparado para a apresentação do relatório semestral de política monetária perante a Comissão Bancária do Senado.
A responsável traçou um cenário otimista sobre a economia dos EUA no primeiro testemunho perante o Congresso após a tomada de posse do Presidente dos EUA, Donald Trump, notando os ganhos no emprego nos últimos meses e a aceleração do crescimento dos salários nos últimos anos, “uma indicação adicional de que o mercado de trabalho está a restringir-se”.
“Os meus colegas [do Comité de Operações no Mercado Aberto, ou FOMC]e eu esperamos que a economia continue a expandir-se a um ritmo moderado, com o mercado de trabalho a reforçar-se um pouco mais e a inflação a subir gradualmente para os 2%”, disse.
Os responsáveis de política da Fed esperam um progresso económico que “garanta aumentos graduais da taxa de fundos federais”, disse Yellen aos senadores. A responsável reiterou a sua perspetiva de que esperar demasiado para retirar a política acomodatícia “seria imprudente, potencialmente exigindo uma eventual subida rápida de taxas, o que arriscaria perturbar os mercados financeiros e levar a economia a uma recessão”.
A referência de Yellen a “próximas reuniões” deixa a porta aberta a um potencial aumento em março, algo que não é geralmente previsto. A maior parte dos economistas ouvidos pelo The Wall Street Journal esperam que o próximo aumento seja feito em junho.
Os comentários de Yellen notaram que a taxa de desemprego está agora “em linha” com a média de estimativas oficiais para a taxa normal de longo prazo. Quando se referiu ao assunto pela última vez, a 19 de janeiro, Yellen disse que a taxa de desemprego estava próxima do nível normal de longo prazo.
O mercado de trabalho começou o ano em força, com os empregadores a criarem 227.000 postos de trabalho em janeiro, embora o abrandamento do crescimento dos salários tenha sugerido a persistência de alguma folga no mercado de trabalho. Esta situação poderá moderar o entusiasmo entre os responsáveis da Fed para aumentar as taxas já em março.
Os comentários de Yellen abordaram brevemente as propostas de Trump para estimular a economia com despesa pública e cortes de impostos. Yellen disse que é “demasiado cedo para saber que políticas serão postas em prática e quais serão os efeitos sobre os desenvolvimentos económicos”. A líder da Fed sublinhou a “importância de melhorar o ritmo de crescimento económico de longo prazo e as condições de vida dos norte-americanos através de políticas destinadas a aumentar a produtividade”.
“Também espero que as alterações de política orçamental sejam coerente com a colocação das contas dos EUA numa trajetória sustentável”, disse Yellen.
Yellen disse que os responsáveis preveem que a inflação acelere para a meta da Fed de 2% “gradualmente”. A inflação aproximou-se da meta recentemente, com a medida preferida de inflação da Fed, o índice de preços com gastos no consumo pessoal, ou PCE na sigla em inglês, a subir 1,6% em dezembro face ao período homólogo, um ritmo visto pela última vez em setembro de 2014.
A presidente da Fed também notou a “incerteza considerável” acerca das perspetivas económicas. As fontes de incerteza incluem possíveis alterações da política orçamental dos EUA e outras, o rumo do crescimento da produtividade e os desenvolvimentos no exterior, disse.
– Por Harriet Torry (harriet.torry@wsj.com)