Fed mantém subida de dezembro em cima da mesa, prevê aumentos mais graduais

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WASHINGTON (DJ Bolsa)– A Reserva Federal dos EUA anunciou que vai iniciar em outubro o tão aguardado plano de reduzir a sua carteira de obrigações adquiridas após a crise de 2008 e manteve viva a possibilidade de aumentar os juros em dezembro.

A Fed manteve os juros inalterados esta quarta-feira e deu pistas de que poderá voltar a aumentar as taxas novamente em 2017, ainda que a inflação persistentemente reduzida tenha feito alguns responsáveis da Fed pensarem duas vezes em relação a uma subida até ao fim do ano.

A decisão de reduzir a carteira de obrigações foi sinalizada há meses pela Fed e a votação foi unânime.

A grande questão a caminho da reunião desta semana centrava-se na forma como a Fed iria enquadrar o debate em relação à subida das taxas em dezembro e no período posterior.

As mais recentes projeções económicas da Fed indicam que os responsáveis ainda esperam claramente aumentar as taxas mais uma vez este ano. Mas mostraram haver ligeiramente menos urgência em relação ao nível das taxas no longo prazo e mais responsáveis preveem agora que o alvo de 2% de inflação seja alcançado além do prazo antecipado em junho, a última vez que foram divulgadas projeções económicas.

Dos 16 responsáveis, 12 disseram esperar que a Fed vá precisar de aumentar as taxas pelo menos mais uma vez antes do final do ano, o mesmo número que em junho. Os responsáveis pela política monetária continuam a prever mais três aumentos das taxas no próximo ano, mas apenas mais dois em 2019 e um em 2020.

A Fed aumentou os juros em um quarto de ponto percentual por quatro vezes desde o final de 2015, sendo que o mais recente aumento aconteceu em junho para um intervalo entre 1% e 1,25%, depois de ter mantido o nível perto de zero durante sete anos.

Os responsáveis aumentaram as suas projeções para o PIB deste ano. Esperam agora que a produção económica cresça 2,4% este ano, versus a projeção de 2,2% em junho e ainda preveem que a taxa de desemprego recue para 4,3% este ano. Mas acabaram por rever em baixa as projeções para a inflação subjacente para 1,5% no final deste ano em relação à previsão de 1,7% em junho, e para 1,9% no final do próximo ano, em relação à projeção de 2% em junho.

O comunicado divulgado pela Fed após a reunião mostra poucas alterações à forma como os responsáveis encaram o desempenho da economia nos meses mais recentes. Os responsáveis salientam o recente aumento do investimento das empresas.

Não se espera que a Fed altere as taxas na sua próxima reunião, agendada para 31 de outubro e 1 de novembro, fazendo com que a reunião de meados de dezembro seja a última oportunidade para avançar com um aumento dos juros este ano.

-Por Nick Timiraos (nick.timiraos@wsj.com)

Traduzido para a Dow Jones Newswires pela Webtexto (BLC; EMC)

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