WASHINGTON (DJ Bolsa)– Os responsáveis da Reserva Federal dos EUA prepararam planos em junho para começar a reduzir lentamente o massivo portefólio de obrigações e outros ativos nos próximos meses.
Os responsáveis debateram precisamente quando deveriam ser lançados esses planos, com vários a argumentarem que a Fed preparou suficientemente os mercados para arrancar em breve, enquanto outros sugeriram que deverá aguardar por mais provas de que a inflação vai recuperar, de acordo com as minutas da reunião de junho, divulgadas esta quarta-feira.
Vários responsáveis “preferem anunciar o início do processo dentro de um par de meses”, em parte porque as “comunicações da Fed ajudaram a preparar o público para esse passo”, referem as minutas. Outros pedem mais paciência, com alguns a sugerirem que “uma alteração a curto prazo no reinvestimento poderá ser mal interpretada como um sinal de que o comité mudou de posição para uma abordagem menos gradual à política geral de normalização”.
Alguns responsáveis indicaram desde a reunião que iniciariam o processo já em setembro, ao mesmo tempo que adiariam mais aumentos de taxas até dezembro.
O debate acerca do rumo da política monetária tem sido complicado devido a dois enigmas para a Fed: a inflação desacelerou, o que justifica o apelo de alguns responsáveis para um ritmo mais lento de aumento de taxas; mas as condições financeiras melhoraram, o que reforça a determinação aos que apoiam a subida gradual das taxas.
Os responsáveis aumentaram as taxas para um intervalo entre 1% e 1,25% na reunião de junho, o terceiro aumento de um quarto de ponto percentual em outros tantos trimestres e preveem mais um aumento este ano.
Também alcançaram um consenso sobre a forma de redução gradual do portefólio de ativos de $4,5 biliões, também conhecido como balanço, que poderá levar a uma subida das taxas de longo prazo.
Pelo facto de a Fed estar preparada para reduzir gradualmente estes ativos de uma forma previsível, os responsáveis disseram no mês passado que esperam que o início desses planos tenha um impacto limitado nos mercados, referem as minutas.
A próxima reunião da Fed realiza-se a 25-26 de julho. Yellen terá oportunidade para falar publicamente sobre as perspetivas quando se deslocar ao Congresso dos EUA para apresentar o relatório semestral de política monetária.
A discussão do banco central em torno do balanço intensificou-se este ano porque os responsáveis ficaram mais confortáveis sobre as projeções económicas. Os responsáveis pararam de aumentar o balanço em 2014, mas têm reinvestido os proveitos dos ativos que atingem a maturidade de forma a manter a posição estável.
A Fed disse no mês passado que, quando começar a permitir que os seus ativos diminuam, isso será feito de forma gradual, possibilitando que uma pequena quantidade de obrigações vença a cada mês sem que seja feito o seu reinvestimento. Começaria por permitir que até $6 mil milhões de Treasurys e $4 mil milhões de obrigações hipotecárias atingissem a maturidade sem reinvestimento e por permitir que estes montantes subissem a cada trimestre, estabelecendo essencialmente um limite de velocidade para a redução do balanço.
Os limites chegariam a um máximo de $30 mil milhões por mês para os Treasurys e $20 mil milhões por mês para obrigações garantidas por hipotecas. Os responsáveis da Fed querem que a descida do balanço seja executada calmamente nos bastidores, o que significa que não a devem ajustar de uma reunião para outra, evitando um choque para a economia.
Os responsáveis da Fed aumentaram as taxas de juro no mês passado, apesar de alguma preocupação em relação à descida dos indicadores de inflação, que atribuíram em grande parte a fatores extraordinários, como grandes descontos nos planos de comunicações móveis.
“A maioria dos participantes viu a debilidade recente dos dados de preços como refletindo em grande parte fatores idiossincráticos”, revelam as minutas. “No entanto, vários participantes expressaram preocupação de que o progresso em direção ao objetivo de inflação a mais longo prazo de 2% possa ter abrandado e que a recente suavidade da inflação possa persistir”.
Os responsáveis receberão mais duas leituras mensais de inflação antes da reunião de setembro e provavelmente estudarão esses relatórios de perto para confirmar as previsões mais recentes.
Apesar dos aumentos das taxas de juro da Fed, as condições financeiras são mais positivas.
Na reunião de junho, os responsáveis da Fed debateram as razões pelas quais as condições financeiras não se tornaram mais restritivas, incluindo o forte crescimento dos lucros das empresas e a crescente tolerância ao risco entre os investidores.
“Do ponto de vista de alguns participantes, os preços das ações estavam altos quando comparados com indicadores padrão de valorização”, mostram as minutas. Alguns responsáveis também “expressaram preocupação de que a volatilidade contida do mercado, aliada a um baixo prémio nas ações, possa levar a um acumular de riscos para a estabilidade financeira”.
– Por Nick Timiraos (nick.timiraos@wsj.com)