O Fundo Monetário Internacional disse na terça-feira que a Grécia volta a arriscar uma saída da Zona Euro devido ao impasse sobre as negociações do resgate, no sinal mais claro até agora de que não deve voltar contribuir para os esforços falhados de reparar as finanças do endividado país.
Responsáveis do fundo disseram que Atenas e os seus credores europeus têm de chegar a acordo para a implementação de reformas económicas profundas e um substancial alívio da dívida antes de o fundo considerar voltar a contribuir.
Dois documentos do FMI relevados na terça-feira mostraram ceticismo em relação à possibilidade de o mais recente programa de financiamento europeu poder reparar a economia grega. Tanto a revisão anual do FMI sobre a economia da Grécia como a avaliação do segundo resgate sublinham que um terceiro pacote de financiamento não tem grande probabilidade de ser aplicado em breve.
O fundo cancelou oficialmente o segundo resgate falhado no início do ano passado, embora tenha mantido os pagamentos do empréstimo desde 2014. O país tem estado a ser financeiramente apoiado pela Europa, mas as obrigações que vencem em julho arriscam mais uma vez atirar o país para um incumprimento, reanimar a turbulência política e mesmo causar uma saída do país da união monetária, algo que traria instabilidade para o euro. A Europa quer garantir a participação do FMI para dar credibilidade ao programa de financiamento. O FMI, por sei lado, diz que isso ainda não faz sentido.
Há poucas indicações de que a Europa e a Grécia estejam prontas para concordar com os termos que o FMI determinou serem necessários para que volte a sentar-se à mesa do resgate. As negociações do mês passado não geraram qualquer avanço.
A equipa do FMI disse na revisão anual da Grécia que a dívida do país é “altamente instável”, com poucas perspetivas de o crescimento acelerar sem um alívio da dívida e importantes reformas dos sistemas de pensões e impostos.
Se não for reparada a economia e assegurado um alívio da dívida, como o FMI recomenda, “isso pode levar a nova escassez de liquidez que, na ausência de mais suporte oficial, pode reacender os receios de um Grexit”.
– Por Ian Talley (ian.talley@wsj.com)