WASHINGTON (DJ Bolsa)– A economia global está a caminho de registar um dos seus melhores desempenhos em vários anos, apesar das tensões comerciais e das ameaças geopolíticas latentes, disse o Fundo Monetário Internacional antes de uma reunião dos responsáveis das finanças mundiais em Washington, esta semana.
No seu relatório sobre a economia global, o Fundo Monetário Internacional aumentou a previsão para o crescimento deste ano para 3,5%, um aumento de uma décima de ponto percentual, sendo este o maior ritmo de crescimento em cinco anos se o FMI estiver correto.
“A aceleração será generalizada entre as economias avançadas, emergentes e de baixo rendimento, prolongando os ganhos que temos assistido tanto na indústria como no comércio”, disse o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld.
Apesar de o FMI ter mantido a sua previsão de um crescimento de 2,3% nos EUA em 2017 — acima de 1,6% no ano passado — aumentou as previsões para as maiores economias da pa. A maior revisão em alta coube ao Reino Unido, num aumento de 0,5 pontos percentuais para 2% este ano.
Na Ásia, uma nova dose de estímulos governamentais levou a previsão de crescimento da China a subir um décimo de ponto percentual para 6,6%. Já em relação ao Japão, o aumento foi de 0,4 pontos percentuais para 1,2%.
O FMI prevê ainda que a inflação nas economias mais avançadas acelere para 2% em média, mais do dobro do ano anterior, estando também a ganhar ritmo nas economias emergentes.
Mesmo com estas projeções genericamente positivas apresentadas pelo FMI, as fricções comerciais, a incerteza política e os problemas da dívida na China ainda são uma ameaça, podendo penalizar o crescimento global. Estes e outros contratempos devem manter o crescimento global limitado nos 3,8% no futuro, segundo as previsões de longo prazo do FMI.
“A economia global pode estar a ganhar ímpeto, mas não podemos ter a certeza de que saímos do pântano”, diz Obstfeld.
A subida das taxas de juro de curto prazo dos EUA pode penalizar as empresas norte-americanas demasiado alavancadas que sobreviveram à custa de crédito barato nos últimos anos, diz o FMI. Muitos mercados emergentes também estão vulneráveis a um aumento dos custos de financiamento e a uma valorização do dólar, uma vez que também aumentaram o seu endividamento.
Tudo isto explica que o aumento das tensões comerciais esteja a preocupar os ministros das Finanças e os responsáveis dos bancos centrais que vão reunir-se em Washington, esta semana, para as reuniões semestrais do FMI e do Banco Mundial.
-Por Ian Talley e Harriet Torry