Goldman: Compra obrigações Venezuela não foi revista por administradores

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(DJ Bolsa)– Quando uma pequena corretora contactou a Goldman Sachs Asset Management na semana passada a oferecer $2,8 mil milhões de obrigações da Venezuela com elevado desconto, a resposta foi prontamente “sim”, de acordo com fontes próximas do processo.

A compra das obrigações no valor de cêntimos por cada dólar não gerou qualquer dúvida nos gestores de fundos da unidade da Goldman Sachs Group Inc.

No plano interno, a compra das obrigações não mereceu grande escrutínio. Os dois co-responsáveis da GSAM foram informados apenas depois de a compra ser concluída, de acordo com fontes. Esta negociação não chegou à comissão de boas práticas da Goldman, que frequentemente veta algumas transações que possam ter repercussões, acrescentam as fontes.

O tumulto que se seguiu a esta negociação — que alguns críticos dizem ser uma linha de salvação para o governo venezuelano — apanhou os responsáveis de topo da Goldman desprevenidos, segundo fontes. Em parte porque a gestão de ativos é vista como uma operação bastante linear e não dada a controvérsia. No passado, os problemas que a Goldman enfrentou estiveram sobretudo relacionados com transações financeiras complexas envolvendo as unidades de corretagem ou banca.

Esta controvérsia mostra como, uma década após a crise financeira, a Goldman está sob os holofotes em Wall Street, depois de o banco ter sido bastante criticado pela sua atividade durante a crise, a perceção de influência política, que aumentou com a nomeação de antigos administradores para cargos de topo na administração Trump.

O imbróglio com a Venezuela mostra como a prioridade das operações de gestão de ativos da firma — fazer dinheiro para os investidores em fundos — pode chocar com a tentativa de olhar para potenciais negócios com o objetivo de proteger a sua reputação.

-Por Liz Hoffman (liz.hoffman@wsj.com)

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