VIENA (DJ Bolsa)– Representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, ou OPEP, chegaram a acordo para cortar a produção, esta quarta-feira, depois de meses de discussões, num esforço para impulsionar os preços e reafirmar a influência do cartel sobre um mercado cada vez mais dominado pelos EUA, Rússia e outros países.
A OPEP disse que chegou a acordo para cortar a produção em 1,2 milhões de barris por dia, face aos atuais 33,6 milhões de barris, representando cerca de 1% da produção global. Outros produtores de petróleo fora do cartel devem cortar mais 600.000 barris por dia, disse a OPEP.
O barril do Brent, o benchmark global para os futuros do petróleo, subia mais de 9% esta quarta-feira. Os membros da OPEP disseram que visam alcançar preços de até $55 a $60 por barril, um nível que ajudará as economias mais dependentes do petróleo.
“É um bom dia para o mercado do petróleo, é um bom dia para a indústria do petróleo”, disse o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, após o entendimento ser alcançado, acrescentando que “o acordo não é apenas o que queríamos, mas é o que o mercado queria”.
A Arábia Saudita é o maior produtor da OPEP e fez uma forte pressão para que se chegasse a um acordo abrangente para cortar a produção, tanto entre membros da OPEP, como de fora da organização.
O acordo representa uma vitória para a Arábia Saudita, que adotou uma linha dura e incentivou um acordo em que o mercado do petróleo confiasse, com metas para cada país. Este é o primeiro corte de produção da OPEP desde 2008, quando a crise financeira reduziu a procura de petróleo.
Embora a Arábia Saudita tenha concordado em assumir a maior fatia dos cortes — de 486.000 barris por dia — também conseguiu uma vitória ao persuadir o Iraque a concordar em reduzir a sua produção e ao trazer os países não-OPEP para o acordo.
Ainda assim, o grupo tem uma história cheia de acordos próprios por cumprir, com os países muitas vezes a produzirem mais do que a quota acordada. Os analistas disseram que os traders de petróleo vão observar o acordo cautelosamente nas próximas semanas.
O acordo também mostra que a Arábia Saudita conseguiu encontrar um terreno comum com dois rivais cada vez mais poderosos dentro da OPEP, o Iraque e o Irão, que estavam relutantes em impor limites à sua crescente produção. Foram necessários meses de negociações para chegar a este ponto e a reunião de quarta-feira resultou na saída de um membro do cartel, a Indonésia.
– Por Benoit Faucon (benoit.faucon@wsj.com), Georgi Kantchev (georgi.kantchev@wsj.com)