VIENA (DJ Bolsa)– A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, ou OPEP, renovou esta quinta-feira um acordo com 10 outros países produtores para reduzir a produção até março de 2018, alcançando um entendimento de última hora entre países que estão a ser penalizados economicamente e politicamente pelos preços baixos.
O pacto aprofundou uma aliança entre a OPEP, liderada pelo seu maior exportador, a Arábia Saudita, e a Rússia, que produz mais crude do que qualquer outro país mas não faz parte dos membros do cartel. Ao manter a produção cerca de 1,8 milhões de barris por dia abaixo dos níveis do final de 2016, o grupo estará a suprimir cerca de 2% da oferta global e a tentar colocar um fundo no preço do petróleo.
Mas os investidores esperavam cortes mais profundos e os preços dos futuros do petróleo caíram depois de as notícias sobre o acordo se terem espalhado.
Um período mais longo com o mesmo nível de produção dececionou os investidores, em parte devido às expectativas de que o petróleo de xisto dos EUA continuará a aumentar, mantendo a oferta elevada e pressionando os preços.
“O que é preciso não é tempo, o que é preciso são volumes” reduzidos pela OPEP para compensar o aumento da produção de xisto dos EUA, disse Jamie Webster, diretor sénior da Boston Consulting Group.
A produção dos EUA deve atingir um recorde máximo este ano de 9,9 milhões de barris por dia, de acordo com o Departamento de Energia dos EUA — quase o mesmo nível a que a Arábia Saudita concordou colocar um teto.
Isso significa que o petróleo de xisto pode ser o principal beneficiário do acordo, uma realidade que sublinha a pressão sobre os dois enormes players Arábia Saudita e Rússia para que prolonguem o acordo sobre a produção — mesmo que até agora ele não tenha aumentado significativamente o excesso de oferta de petróleo.
O ministro da Energia saudita, Khalid al-Falih, insistiu esta quinta-feira que os esforços da coligação estão a funcionar e apenas precisam de mais tempo, minimizando os receios de que os produtores dos EUA podem conquistar quota de mercado. “Na minha opinião, o mercado está a caminho de uma recuperação”, disse durante os comentários de abertura da reunião.
“Não prevejo que o xisto faça descarrilar o que estamos a fazer”, disse Falih. “O mercado é suficientemente grande para absorver o aumento da produção de xisto”.
Junto ao ministro saudita, o homólogo russo Alexander Novak aplaudiu a cooperação e disse que é “uma nova era”, sugerindo que o espírito do acordo pode alargar-se a outras áreas.
– Por Summer Said (summer.said@wsj.com), Benoit Faucon (benoit.faucon@wsj.com), Sarah McFarlane (sarah.mcfarlane@wsj.com)
– Michael Amon, Jon Sindreu, Bradley Olson contribuíram para este acordo.