LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– As despesas do governo português relacionadas com os incêndios não vão ser oficialmente contabilizadas para a meta do deficit da Comissão Europeia, disse o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, esta quinta-feira no Parlamento Europeu.
“As despesas públicas que serão feitas pelas autoridades portuguesas para enfrentar os incêndios serão consideradas circunstâncias excecionais no quadro do exame do Orçamento”, disse Moscovici, acrescentando: “estaremos ao lado de Portugal e, evidentemente, teremos uma abordagem subtil e flexível destas despesas”.
Isto significa que a Comissão Europeia irá avaliar o deficit estrutural, ou seja, o que exclui os itens excecionais. Moscovici comparou estas circunstâncias aos ataques terroristas ou aos sismos em Itália.
A decisão de Bruxelas surge no seguimento dos incêndios florestais que assolaram as regiões do norte e do centro de Portugal nos últimos quatro meses e que levaram à morte de mais de uma centena de pessoas. As críticas à resposta do Estado levaram à demissão da ministra da Administração Interna portuguesa e a uma moção de censura ao governo pelo segundo maior partido da oposição, o CDS-PP.
As mais recentes previsões do governo, que constam da proposta de Orçamento do Estado para 2018, apontam para um deficit de 1,4% em 2017 e de 1% no próximo ano.
– Por Beatriz Vasconcelos (beatriz.vasconcelos@webtexto.pt)