LISBOA (DJ Bolsa/Webtexto)– A Fitch Ratings reiterou o rating da dívida soberana de Portugal em BBB, dois graus acima de nível especulativo, mantendo o outlook positivo, adiando assim uma melhoria da classificação do país.
A decisão mantém a porta aberta a uma potencial subida do rating em breve, uma vez que a Fitch continua a destacar a melhoria dos indicadores orçamentais e a resiliência económica do país.
“O crescimento do investimento acima do esperado e um mercado de trabalho resiliente compensaram o impacto da fragilidade nos principais parceiros comerciais”, disse a agência de notação, que prevê agora um crescimento de 1,9% da economia portuguesa este ano, face à projeção anterior de 1,7%. Para 2020 e 2021, a Fitch antecipa um crescimento real do PIB de 1,7% e 1,9%, respetivamente.
A sustentabilidade da dívida melhorou. A Fitch considera que a dívida pública continua elevada, mas “a sua trajetória descendente é robusta o suficiente para [suportar]a maioria dos choques individuais”.
No entanto, a 122,2% do PIB no final de 2018, a dívida pública era “muito superior à média dos pares BBB de 36,4% e à média da Zona Euro de 85,9%”. A economia “altamente aberta” de Portugal deixa o país vulnerável a choques externos, alertou a agência de notação.
A Fitch deixou ainda uma nota à estabilização política, depois de António Costa ter obtido um segundo mandato com mais assentos, ainda que sem o apoio dos partidos à esquerda, como antes. “O PS vai governar em minoria (…) mas a sua representação maior no Parlamento significa que deve conseguir o apoio necessário para aprovar projeto-lei a projeto-lei”, escreveu a agência.
Em maio deste ano, a Fitch tinha alterado o outlook de estável para positivo.
– Por Gonçalo Saraiva Amaro (goncalo.amaro@webtexto.pt)
– Eduardo Correia contribuiu para este artigo.