A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico manteve esta segunda-feira as projeções para a economia portuguesa este ano e no próximo, apontando a necessidade de implementar reformas estruturais que melhorem o crescimento e de estabilizar o sistema bancário.
Num relatório alargado sobre Portugal, a organização projeta um crescimento económico de 1,2% este ano, acelerando apenas levemente para 1,3% em 2018.
A OCDE disse que as perspetivas estarão cada vez mais dependentes da aplicação de políticas de reforço da competitividade e capazes de gerar novas oportunidades de rendimento, acrescentando que “estrangulamentos estruturais continuam a travar o crescimento e a exacerbar as vulnerabilidades”.
Olhando para as tendências macroeconómicas, a organização nota que o consumo privado deve perder algum do alento registado recentemente e que o investimento deve continuar fraco, sendo penalizado pela contração do crédito e pela falta de confiança dos agentes económicos. As exportações, que desempenharam um papel importante na recuperação de Portugal durante o programa de ajustamento desenhado pelos credores internacionais, crescerão menos do que em anos anteriores, diz a OCDE.
A OCDE prevê que o desemprego recue dos 11% registados no ano passado para 10,1% em 2017 e em 2018. Este indicador, refere o relatório, “mantém-se em níveis desconfortavelmente elevados”.
Sobre o sistema financeiro em particular, que aponta como um risco para a sustentabilidade das finanças públicas, a organização diz que está “altamente vulnerável a choques externos e ao elevado endividamento dos setores público e privado”. Nomeadamente, os bancos portugueses estão limitados por um cenário de fraca rendibilidade e elevados níveis de crédito malparado.
Caso houvesse uma descida do rating de Portugal, o acesso ao financiamento para o soberano e para os bancos seria dificultado, inclusivamente junto do Banco Central Europeu. Neste momento, apenas a agência canadiana DBRS mantém o rating de Portugal na classe de investimento, garantindo o acesso das obrigações do país ao programa de alívio quantitativo do BCE.
A OCDE prevê que o deficit de Portugal seja de 2,1% do produto interno bruto em 2017, descendo para 1,9% do PIB em 2018.
– Por Carla Canivete (carla.canivete@webtexto.pt)