WASHINGTON (DJ Bolsa)– A subida do protecionismo, os níveis recorde de dívida e a situação de debilidade económica nos países ricos prejudicarão o crescimento global no próximo ano, apesar de haver recuperação em vários mercados emergentes, disse o Fundo Monetário Internacional, esta terça-feira.
O crescimento global deverá acelerar ligeiramente em 2017 para 3,4% face a 3,1% este ano, disse o fundo no mais recente World Economic Outlook, apesar de os decisores de política estarem a levar os estímulos de bancos centrais para terreno desconhecido.
As revisões em baixa nas previsões para os EUA e o Reino Unido contrariam as revisões em alta no Japão, Alemanha, Índia e Rússia, o que mantém as previsões do FMI para a economia mundial inalteradas face a julho.
A fragilidade das economias internacionais e o investimento reduzido minam a aceleração que se previa do crescimento dos EUA. Em conjunto com o efeito da queda dos preços das commodities no setor da energia e a incerteza fomentada pelas eleições, levou o FMI a cortar as previsões de crescimento dos EUA 0,6 pontos percentuais para 1,6% este ano e 0,3 pontos percentuais para 2,2% em 2017.
“O outlook continua limitado”, disse o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld. A recuperação global é ainda “fraca e precária”.
O relatório antecede um encontro entre ministros das Finanças e banqueiros centrais na reunião semestral FMI/Banco Mundial em Washington, em que os responsáveis procurarão discutir o aperfeiçoamento das políticas económicas para reanimar as fracas perspetivas de crescimento global.
O risco de deflação continua a afetar muitas das principais economias industrializadas, apesar da era sem precedentes de taxas de juro negativas. A política agressiva do Banco do Japão, ou BOJ, e o adiamento do aumento do imposto sobre o consumo elevou a projeção do fundo em meio ponto percentual, mas para apenas 0,6% no próximo ano. O crescimento da Zona Euro deve cair para 1,5%, menos 0,2 pontos percentuais.
Os mercados emergentes não vão ser capazes de retirar a economia global da tendência de fraco crescimento, apesar de contribuírem para a expansão económica.
A Rússia e o Brasil devem regressar a um crescimento, ainda que ligeiro, graças à estabilização dos preços das commodities.
No entanto, o crescimento da China deve abrandar de 6,6% este ano para 6,2% em 2017, devido às injeções de liquidez numa economia com demasiada capacidade industrial e níveis de endividamento perigosamente elevados.
– Por Ian Talley (ian.talley@wsj.com)