A política está a conduzir os mercados financeiros em 2017, disse Klaus Regling, chefe do fundo de resgate da Zona Euro.
Num discurso esta quinta-feira em Munique, o diretor-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade, ou MEE — que pagou EUR265 mil milhões ($280 mil milhões) a cinco países, incluindo a Irlanda, Portugal e a Grécia, na sequência da crise da dívida soberana — disse que as eleições em França, na Holanda e na Alemanha representam um grande desafio para a Europa e, assim, para os investidores.
“O euroceticismo é um dos maiores riscos aos olhos dos mercados financeiros”, disse Regling. Responsáveis da União Europeia têm feito um péssimo trabalho de comunicação com os membros do bloco, provocando desconfiança e dando munição aos partidos populistas que tencionem afastar os políticos do establishment, de acordo com o alemão de 66 anos.
“Muita gente ainda tem as suas dúvidas acerca da forma como lidámos com a crise”, disse Regling. “Isso acrescenta-se a uma erosão da confiança nas elites e vê-se em quase todas as democracias ocidentais. E todos nós fazemos parte deste painel do establishment — vale a pena perguntar: poderíamos ter feito melhor?”.
Regling disse que, mesmo que a economia europeia e a moeda única sejam mais fortes atualmente do que antes da crise, demasiadas pessoas não têm consciência do papel da UE neste processo. Em conjunto com a crescente desigualdade de rendimentos, isto levou à diminuição da confiança pública no projeto europeu.
– Por Julia-Ambra Verlaine (julia.verlaine@wsj.com)