Responsáveis da Fed preveem aumento taxas “relativamente em breve”

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(DJ Bolsa)– Os responsáveis da Reserva Federal dos EUA, na mais recente reunião do banco central, anteciparam um aumento das taxas de juro para “relativamente em breve”, tendo em conta a evolução da economia e a possibilidade de as políticas económicas de Trump elevarem a inflação a um ritmo mais rápido que o esperado.

Alguns responsáveis acreditam que poderá ser apropriado agir “potencialmente numa próxima reunião”, de acordo com as minutas da reunião de 31 de janeiro e 1 de fevereiro, divulgadas esta quarta-feira o que sugere que poderão considerar aumentar a taxa de fundos federais na próxima reunião, a 14 e 15 de março.

Vários responsáveis também levantaram a possibilidade de agir mais agressivamente do que o esperado caso a inflação acelere e a taxa de desemprego caia demasiado. Caso isso aconteça, “o comité poderá precisar de aumentar a taxa de fundos federais mais rapidamente do que a maior parte dos participantes antecipam atualmente para limitar a acumulação de pressões inflacionistas”, dizem as minutas.

Os responsáveis da Fed também veem “incerteza acrescida” em vista dos planos da administração Trump de reduzir impostos e aumentar a despesa, dizem as minutas. Ainda assim, os responsáveis dizem que “devem ter amplo tempo para responder” se a política orçamental elevar a inflação acima do esperado.

O Comité de Operações no Mercado Aberto, ou FOMC, votou de forma unânime na mais recente reunião para manter as taxas. O comunicado emitido após a reunião não deu quaisquer pistas sobre a probabilidade de aumentar as taxas em março.

Contudo, nos bastidores, os responsáveis começaram a preparar o plano de aumento do custo do financiamento de curto prazo. Depois de aumentarem as taxas apenas uma vez nos últimos dois anos, alguns responsáveis receavam que os mercados não acreditassem nos responsáveis de política monetária em dezembro quando previram três aumentos de um quarto de ponto percentual em 2017.

As comunicações da Fed “poderão ser mal interpretadas como um compromisso de apenas um a dois aumentos por ano”, alertaram.

Desde a reunião, vários responsáveis soaram cada vez mais dispostos a aumentar novamente as taxas em breve, talvez já em março. O presidente da Fed de Filadélfia, Patrick Harker, disse na terça-feira que “não retiraria março de cima da mesa”. O presidente da Fed de Dallas, Robert Kaplan, disse este mês que o banco central deverá agir “mais cedo e não mais tarde”.

A disposição para agir reflete em parte uma economia em consolidação, particularmente nas semanas desde o comunicado de fevereiro.

A presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, sugeriu que o banco central poderá aumentar as taxas em março, sem assumir um compromisso nesse sentido, quando disse ao Congresso que uma alteração poderia ser apropriada “na nossa próxima reunião”.

Os responsáveis terão acesso a novos dados de inflação e emprego antes dessa reunião. Caso os números continuem a mostrar uma evolução na economia, isso poderá fazer com que os responsáveis fiquem mais confortáveis com um aumento no próximo mês. Yellen também tem agendada uma intervenção para 3 de março, que será seguida atentamente.

As minutas também indicaram que os responsáveis da Fed esperam começar a debater o que fazer em relação ao grande portefólio de ativos “nas próximas reuniões”. Os responsáveis da Fed disseram que gostariam de discutir o portefólio de ativos do banco central, conhecido como balanço, ainda este ano, mas ainda têm de definir os planos.

Comentários recentes de Yellen sugerem que não existe grande pressa em abordar a questão do balanço enquanto decorre o processo de aumento das taxas. Outros responsáveis, contudo, mostraram mais vontade de começar essa discussão.

– Por David Harrison

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