ATENAS (DJ Bolsa)– O ministro das Finanças da Grécia alertou a Alemanha e outros credores do país para aceitarem uma reestruturação da dívida da Grécia nas próximas semanas, ou correm o risco de perder a melhor forma de colocar ponto final à crise que Atenas atravessa há sete anos.
Os comentários de Tsakalotos surgem um dia depois de o Presidente dos EUA, Barack Obama, ter visitado Atenas e ter defendido o alívio da dívida da Grécia.
Responsáveis alemães, incluindo o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, disseram que esta questão pode ser abordada mais tarde. Contudo, Tsakalotos alertou que a demora pode minar as hipóteses de recuperação da Grécia em 2017. O ministro grego disse que as próximas semanas são uma importante oportunidade para a Zona Euro mostrar que pode resolver, em vez de evitar, os seus problemas.
“Se adiarmos a questão e dissermos ‘vamos decidir daqui a dois anos'” como tornar a dívida da Grécia sustentável, então os investidores também vão adiar o possível investimento na Grécia, disse Tsakalotos, uma das principais figuras do partido Syriza.
Numa altura em que cresce o populismo na Europa, a Zona Euro só vai sobreviver se convencer o eleitorado de que consegue resolver os problemas de longa data, disse Tsakalotos. “Se apenas adiar as decisões políticas (…) então as pessoas vão dizer que não está a funcionar.”
A Grécia aproxima-se de semanas cruciais de negociações com os credores — a Zona Euro e o Fundo Monetário Internacional. Atenas tenta mostrar que está a levar a cabo todas as reformas económicas acordadas e que merece uma restruturação dos empréstimos do resgate, o que permitiria ao país registar excedentes orçamentais no futuro.
É crucial agir rapidamente, disse o ministro. Não chegar a acordo para o alívio da dívida em dezembro ou janeiro significa que a Grécia não será incluída no programa de compra de dívida do Banco Central Europeu até março, disse. Isso impediria a entrada do país nos mercados de obrigações no final de 2017 ou início de 2018.
A Alemanha e o FMI têm estado em desacordo sobre quando, e especificamente como, reestruturar os empréstimos à Grécia. Schaeuble e outros responsáveis alemães têm resistido à ideia de reestruturação, defendendo apenas pequenos ajustes, antes de Atenas concluir o programa de reformas económicas em 2018.
-Por Nektaria Stamouli (nektaria.stamouli@wsj.com), Marcus Walker (marcus.walker@wsj.com)