WSJ: Proibição de imigração de Donald Trump gera o caos

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(DJ Bolsa)– O Presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu no domingo o decreto de uma restrição de imigração para sete países de maioria muçulmana, com a medida de segurança nacional a gerar desafios legais, críticas do Congresso, protestos generalizados e confusão nos aeroportos do país e em todo o mundo.

A ordem, emitida na sexta-feira, cumpre uma promessa de campanha de Trump para reduzir a imigração de países afetados pelo terrorismo. Trump suspendeu o programa de refugiados dos EUA durante quatro meses e baniu por 90 dias a entrada de cidadãos do Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen.

Seguiu-se a detenção imediata de muitas pessoas que chegavam aos principais aeroportos dos EUA e mesmo algumas deportações para os países de origem. No final de sábado, um juiz federal de Brooklyn, Nova Iorque, emitiu uma injunção temporária que bloqueava a deportação dos detidos. Mas o juiz ficou aquém de permitir a entrada destes detidos no país e não se pronunciou sobre a constitucionalidade das medidas de Trump.

Outras decisões judiciais questionam a aplicação de algumas facetas da ordem e abrem caminho ao que pode ser uma longa batalha legal.

Entretanto, esclarecendo um dos pontos que criou maior confusão, o novo líder do Departamento de Segurança Interna disse no domingo que a ordem não afeta quem tem autorizações permanentes de residência, o chamado green card, depois de a agência ter dito que sim.

As ordens deram origem a enormes protestos no sábado e domingo em aeroportos de Nova Iorque, Dallas, Atlanta, São Francisco, Seattle, Chicago, Los Angeles e perto de Washington, onde algumas pessoas foram detidas.

A ordem executiva de Trump refere que a moratória permite autorizar a entrada nos EUA a indivíduos, casuisticamente. Embora não mencione religiões em particular, diz que o governo continuará a processar pedidos de indivíduos que digam estar a fugir de perseguições religiosas, “desde que essa religião seja minoritária no país do indivíduo”. Isso sugere que os EUA podem admitir a entrada de cristãos em países de maioria muçulmana.

Num comunicado feito no domingo através do Facebook, Trump disse que os “sete países identificados na ordem executiva são os mesmos anteriormente identificados pela administração Obama como fontes de terrorismo. Para ser claro, isto não é uma proibição muçulmana, como os media falsamente noticiaram. Isto não é sobre religião — é sobre terrorismo e manter o nosso país seguro.”

No entanto, uma análise de dados compilados pela New America Foundation feita pelo The Wall Street Journal mostra que a estratégia pode estar errada. Os dados incluem os acusados de realizar ataques, mortos na execução de ataques, a tomada de medidas conducentes a violência nos EUA e o apoio material ao terrorismo.

Das 161 pessoas acusadas de crimes relacionados com terrorismo jihadista ou que morreram antes de ser acusados, apenas 11 estavam identificados como provenientes da Síria, Iraque, Irão, Iémen, Sudão ou Somália.

– Por Miriam Jordan, Siobhan Hughes, Kristina Peterson

– Ian Lovett, Alejandro Lazo, Jennifer Levitz, Michelle Hackman, Felicia Schwartz, Ben Kesling contribuíram para este artigo.

Traduzido para a Dow Jones Newswires pela Webtexto (CSC; BLC)

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